A tarifa média de pedágio no Paraná é de R$ 8,68, abaixo das médias do Rio de Janeiro (R$ 12,93), de São Paulo (R$ 12,76), do Espírito Santo (R$ 12,44) e do Rio Grande do Sul (R$ 9,93). E também abaixo da média nacional, que é de R$ 9,04. As informações fazem parte de um estudo divulgado ontem pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).
O presidente da Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias (ABCR), no Paraná, João Chiminazzo, comemorou a divulgação da pesquisa. ''Isso comprova que não temos as maiores tarifas como costumam dizer''. Mas, para o presidente do Sindicato das Empresas de Transporte do Paraná (Setcepar), Gilberto Cantu, não há motivo para festejar.''Se botar na ponta do lápis, o nosso pedágio é o mais caro porque temos aqui pouquíssimos trechos duplicados'', rebateu.
Cantu ressaltou que, se a comparação for com a malha paulista, as diferenças são imensas. ''São Paulo tem grandes rodovias duplicadas, com quatro pistas cada, e dispõe de uma grande infraestrutura de atendimento ao usuário'' alegou.
O empresário disse que o sindicato não é contra o pedágio e sim contra o modelo implantado no Paraná. ''Pelo retorno que tivemos, é evidente que estamos pagando caríssimo'', reforçou. Ele espera que o governo do Estado consiga chegar a um acordo com as concessionárias para que baixem as tarifas.''O governo diz que está conversando com as empresas, mas nós não sabemos em que nível estão essas conversas'', reclamou.
O processo de concessão de rodovias no Paraná e a relação entre governo e concessionárias sempre foram marcados pela politização. Os contratos foram firmados em 1997 no governo Jaimer Lerner. No ano seguinte, temendo perder a reeleição, o próprio governador baixou as tarifas pela metade, por decreto. As empresas então deram entrada às primeiras ações judiciais contra o Estado. Em 2000, a Justiça determinou a recomposição das tarifas originais.
Segundo Chiminazzo, foram 20 meses de prejuízos para as empresas que repercutiriam pelo resto da vigência dos contrados de 24 anos. Por isso, segundo ele, no acordo feito com o governo, após a decisão judicial favorável às empresas, foram retiradas ''algumas'' obras previstas como a construção de vias marginais. E foram simplificados projetos de obras de artes (pontes e viadutos).
De acordo com o presidente da ABCR, ao contrário do que muita gente pensa, os contratos não preveem a duplicação de todo o Anel de Integração. ''Nem há fluxo suficiente para isso'', alegou. Entre as duplicações previstas, de acordo com o presidente da ABCR, está o trecho de Ponta Grossa a Apucarana (BR-376).
Mesmo após o acordo, segundo Chiminazzo, há ainda cerca de 120 ações das concessionárias contra o Estado e vice-versa. ''São ações contra leis isoladas que proibiram temporariamente a cobrança do pedágio ou estão pleiteando o ressarcimento de prejuízos causados em praças por invasões do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra)'', exemplificou.
As relações entre Estado e concessionária, que azederam já no governo Lerner, pioraram muito durante os dois governos de Roberto Requião (2003-2010). O ex-governador se elegeu prometendo baixar tarifas ou acabar com o pedágio. Nem uma coisa nem outra aconteceu.
De acordo com o presidente da ABCR, houve uma ''desorganização total'' nas relações entre as empresas e o Departamento de Estradas de Rodagem (DER) naquele período.
No atual governo, de Beto Richa (PSDB), as partes voltaram a dialogar e as ações estão suspensas no momento. ''As conversas estão andando. O governo quer realizar algumas obras que não estavam previstas. Já fizemos acordo para uma delas, que são 14 quilômetros de duplicação entre Medianeira e Matelândia (região Oeste)'', contou.

Imagem ilustrativa da imagem Pedágio no PR está abaixo da média nacional, diz Ipea
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