Pedágio encarece produção e deve ser revisto
O leilão para a escolha das empresas que irão explorar várias rodovias federais brasileiras colocou um grande ponto de interrogação na cabeça dos paranaenses. E não é para menos. O grupo espanhol OHL Obrascon Huarte Lain Brasil Concesiones ficou com seis dos sete trechos de rodovia colocados em leilão. No trecho entre Curitiba e Florianópolis, de 380 quilômetros, A OHL fez uma proposta de R$ 1,028 por praça.
No Paraná a praça de pedágio mais barata cobra R$ 4,30 de tarifa de cada veículo que passa por ela. A mais cara chega a R$ 10,90. A disparidade entre o que se vai cobrar pela empresa espanhola e o que é cobrado no Paraná está provocando uma grande polêmica. ''O pedágio no Paraná se transformou em um tributo como é o IPVA, o ICMS, IPI e tantos outros. O problema é que o pedágio interfere nos custos de praticamente todos os produtos. Temos que lembrar sempre que no Brasil praticamente todo o transporte de carga é feito através de rodovias. E as tarifas do pedágio são embutidas nos preços das mercadorias transportadas'', explica o empresário e contador Lindomar dos Santos.
O presidente do Sindicato das Empresas de Serviços, Contabilidade, Auditoria e Pericia de Londrina e Região (Sescap-Ldr), José Joaquim Martins Ribeiro, diz que o leilão das rodovias federais também serviu para que os brasileiros percebessem que não falta dinheiro no país. Segundo ele, o que falta mesmo é administração correta e honesta. ''Veja o caso da rodovia que liga Londrina a Maringá. São 100 quilômetros apenas. A concessionária pegou a rodovia já duplicada pelo governador Álvaro Dias e em perfeitas condições. E mesmo assim, cobra R$ 9,20 de pedágio para apenas 100 quilômetros. O que dá para falar sobre isso? Com o leilão realizado e vencido pela empresa espanhola OHL, temos como ter pelo menos um parâmetro. E apenas confirmamos que o que está acontecendo no Paraná é uma verdadeira vergonha, para não falar outra coisa'', diz Ribeiro.
José Ribeiro diz que é preciso melhorar urgentemente a gestão da economia brasileira. ''Nós percebemos que não falta dinheiro no Brasil. Em qualquer casa de periferia você encontra TV de 29 polegadas, microondas, geladeira e vários outros confortos. A bolsa de valores está batendo recordes, as exportações não param de crescer além de outros indicadores de crescimento. Mas apesar de tudo isso parece que o governo tem prazer em atrapalhar. Se o governo federal fizesse uma gestão mais séria, sem ficar passando a mão na cabeça dos políticos apaniguados, em 10 anos teríamos um salto enorme tanto na qualidade de vida do povo como também na economia'', comenta Ribeiro.
O problema, comenta ele, é a ganância por arrecadação. Dias atrás, só para exemplificar, o ministro da Fazenda Guido Mantega fez uma declaração que foi entendida como uma ameaça velada. Segundo o ministro, ou o Congresso aprova a continuidade da CPMF ou o governo será obrigado a aumentar impostos ou criar novos impostos. Em nenhum momento o ministro fala em redução de custos da máquina pública. ''Aí fica fácil governar. Quando se precisa de dinheiro é só criar um novo imposto, uma nova alíquota. Agora, falar sobre gerenciamento eficiente eles não admitem'', reclama Ribeiro.
O presidente do Sescap-Ldr comenta que o caso do pedágio no Paraná é emblemático. Os contratos entre as operadoras de pedágio do Paraná e o governo estão vigorando desde 1998, na época do então governador Jaime Lerner. Os valores das tarifas sempre foram contestados mas nunca caíram realmente. ''Os advogados dizem que não há peça jurídica perfeita por isto nunca consegui entender porque o pedágio no Paraná é tão caro e porque o governo ainda não conseguiu reduzir as tarifas'', diz Ribeiro.
O Tribunal de Contas da União também está de olho nas atuais tarifas de pedágio em vários trechos de rodovias. O tribunal deu 30 dias para que a Agência Nacional de Transportes Terrestres faça estudos para verificar se a rentabilidade do investidor das concessionárias está equilibrada. De acordo com técnicos do tribunal, a taxa de retorno destas rodovias varia de 17% a 24%, enquanto que nas sete rodovias leiloadas nesta semana ficou abaixo de 8,95%.
Fonte - Sescap-Ldr- Sindicato das Empresas de Serviços, Contabilidade, Auditoria e Pericia de Londrina e Região





