A Federação da Agricultura (Faep) é a principal defensora pública da renovação dos contratos de pedágio já. Tanto é que abandonou o G7 devido às críticas feitas por outras entidades à proposta. Para a federação, o agronegócio paranaense não aguenta as atuais tarifas até 2021. Apesar de defender a redução, a entidade divulgou a cartilha "Pedágios do Paraná", na qual dedica algumas páginas a mostrar que as tarifas paranaenses não são as maiores do País.
Para a entidade, a imprensa e os opositores da renovação dos contratos utilizam dados distorcidos para justificar sua posição. A cartilha diz que Rio de Janeiro tem a tarifa mais cara: R$ 16,10 por 100 quilômetros. Depois, viria São Paulo, com R$ 13,20; Espírito Santo, R$ 11,20; e só então o Paraná, com R$ 11.
Um dos exemplos da publicação é a Via Dutra, que liga São Paulo ao Rio de Janeiro. Segundo a Faep, há "veículos da imprensa" que apontam R$ 4,58 como valor da tarifa na rodovia. Mas, a entidade fez as contas e descobriu que são R$ 12,41 por 100 quilômetros, portanto, mais elevada que a cobrada no Paraná. A publicação diz que "não dá para fazer comparações" porque "há realidades desiguais" em volume de tráfego. "Mesmo assim, podemos verificar que a média do Paraná é mais barata."
Reportagem publicada pela FOLHA no mês passado mostra que a média das tarifas das concessões realizadas pela União desde 2013 é de R$ 4,59 por 100 quilômetros. Os cálculos foram feitos a partir de valores obtidos no site da Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias (ABCR). Portanto, menos da metade da paranaense (R$ 11,07).
A cartilha da Faep, no entanto, diz que a tarifa da próxima concessão federal será de R$ 13, portanto, mais cara que a do Paraná. De fato, esse é o valor básico da tarifa divulgado pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) para a concessão da Rodovia do Frango, trecho de 493 quilômetros da BR 476 entre o Paraná e Santa Catarina. Acontece que, no leilão ainda sem data marcada, as empresas concorrentes apresentam propostas de deságio. Ganha aquela que der o desconto maior. Nas concessões mais recentes feitas pelo governo federal, os deságios foram de 30% a 60%.
Diante do desentendimento com a Faep, o superintendente da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), José Roberto Ricken, adotou tom bem diplomático para falar do assunto. Segundo ele, a entidade "torce" para que seja viabilizada uma proposta de renovação dos atuais contratos que represente um avanço. "Mas, nós acompanhamos a situação das concessões no Paraná desde o começo (1997). Durante muito tempo trabalhamos para que as tarifas fossem reduzidas. Não acreditamos mais nisso", afirma.
Ele ressalta que as diferenças de tarifas entre as concessões federais e as do Paraná chegam a 60%. E, por isso, a entidade, assim como a Fiep, acredita ser melhor esperar os contratos vencerem em 2021 e fazer um novo processo de concessão. De acordo com Ricken, renovar contratos agora com pequenas reduções nas tarifas é criar um "problema maior".

A reportagem não conseguiu entrevista na Faep ontem. (N.B.)
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