Pecuaristas vão questionar Mapa
Apesar de as barreiras sanitárias ainda não terem sido instaladas na Fazenda Cachoeira e no município de São Sebastião da Amoreira, o gerente da propriedade, André Carioba Filho, diz que os sócios-proprietários não irão aceitá-las. ''Vamos interpelar o Ministério (da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) judicialmente. Acho que não estamos sozinhos nesta briga, o governo estadual já anunciou que também iria entrar com ação e a Sociedade Rural também deve se manifestar'', afirmou.
A Fazenda Cachoeira foi colocada sob observação pelo Mapa desde o dia 17 de outubro, quando ficou constatada que na propriedade haviam animais oriundos do Mato Grosso do Sul. Juntamente com essa propriedade, quatro fazendas estão interditadas e outras 10 também estão em observação. Os municípios continuarão interditados até que sejam divulgados os exames conclusivos.
No entanto, durante todo esse período não foi montada barreiras sanitárias na entrada da fazenda e, inclusive, o trânsito de animais, veículos e pessoas sempre foi constante. Carioba Filho informa que os bovinos foram abatidos em frigoríficos que têm o Serviço de Inspeção Federal (SIF) e que possui as Guias de Trânsito Animal (GTAs) emitidas pela Seab, que lacrava os caminhões. No frigorífico, um veterinário do próprio Mapa retirava o lacre dos veículos e encaminhava os animais para abate.
O superintendente do Mapa no Paraná, Walmir Kowaleski de Souza, disse que o abate é autorizado porque os animais eram encaminhados para frigoríficos com SIF e que os bovinos apenas estavam em observação naquele período. No entanto, o trânsito de animais fica proibido a partir do comunicado oficial do Mapa. O problema é que a propriedade não é voltada exclusivamente para a pecuária.
Apenas uma área é destinada ao confinamento de bovinos. Neste local eles permanecem cerca de 100 dias e depois são destinados ao abate. No restante da fazenda, há plantações de milho, soja, trigo e feijão e o trânsito de cereais na propriedade são diários, segundo Carioba Filho.
O advogado dos proprietários da Cachoeira, Ricardo Jorge Rocha Pereira, disse ontem que está aguardando a imposição das barreiras sanitárias na fazenda para impetrar uma ação judicial contra o governo federal. Ele pretende pedir a apresentação dos laudos do Lanagro e uma perícia judicial em todo o rebanho localizado nas 15 propriedades colocadas sob suspeita. (F.M.)





