Pecuaristas se unem em alianças mercadológicas
PUBLICAÇÃO
sábado, 09 de outubro de 2004
Vânia Casado<br>Equipe da Folha 
Curitiba Pecuaristas paranaenses estão se unindo em condomínios para controlar todo o processo de abate de animais e estão vendendo a produção diretamente para os varejistas. Os condomínios, conhecidos como alianças mercadológicas, foi a alternativa encontrada para o pecuarista escapar do domínio dos grandes frigoríficos que ''está matando o pecuarista à míngua'', disse o zootecnica da empresa de assistência técnica rural do Paraná (Emater/PR), Luiz Fernando Brondani.
Brondani é o organizador desse sistema que está conquistando cada vez mais o mercado varejista, também interessado em diminuir custos com a eliminação dos intermediários. Atualmente, as redes de supermercados Superpão e Sonae (supermercados Big e Mercadorama) já firmaram contratos de compra de carne diretamente com essas alianças mercadológicas.
O compromisso das alianças, de acordo com Brodani, é com a produção em escala de um boi de qualidade. Atualmente estão sendo abatidos cerca de 200 animais por semana, dentro desse sistema, com a garantia de oferecer animais com idade inferior a 24 meses. Os pecuaristas acertam uma programação de escala entre eles para manter a oferta de animais o ano inteiro e arrendam um frigorífico para atender o cliente.
Já estão funcionado quatro alianças formadas nos municípios de Guarapuava, Paranavaí, União da Vitória e Maringá. Uma quinta aliança está sendo formada no município de Chopinzinho, Sudoeste do Estado. A principal característica desses condomínios é o trabalho com a qualidade da carne, sendo permitido somente o abate de animais jovens com peso de adulto e com acabamento (gordura) ideal.
Com esse sistema o pecuarista chega a ganhar 13% a mais no valor da arroba do boi e a o valor da cotação de macho mais 5% quando encaminha as fêmeas para o abate. A aliança construída em Paranavaí, com cerca de 25 produtores, evoluiu para a criação de uma cooperativa que visa exportar carne para fora do Estado e do País.
Brondani salientou que o interessante é a mudança do foco nessa relação comercial. O varejista paga diretamente ao produtor, que paga o frigorífico pelo serviço prestado. Geralmente o pecuarista paga a indústria com sub-produtos como couro, vísceras, extremidades e gordura animal. Quando o pecuarista se recusa a entregar o couro o pagamento é acertado em dinheiro mesmo, disse o zootecnista.
''O sistema quebra o paradigma da comercialização de carnes no País'', afirmou. Para o zootecnista o foco da relação comercial não é mais o boi e sim a produção de carnes. Brondani salientou que o pecuarista está tentando se desatrelar do domínio dos frigoríficos, que exige rastreabilidade mas não paga nada em troca.''Pelo contrário está aumentando os descontos nos bois ofertados. A fêmea está com um deságio de 20% em relação ao boi gordo'', destacou.


