Pecuaristas recebem indenização por gado abatido
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quinta-feira, 03 de novembro de 2005
Fabíola Salvador<br> Agência Estado 
Brasília - O governo federal começou ontem a indenizar os pecuaristas de Mato Grosso do Sul que tiveram de sacrificar seus animais por causa do surgimento do foco de febre aftosa. O secretário de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura, Gabriel Alves Maciel, estará em Eldorado, onde foi detectado o primeiro foco. Já são 21 os casos confirmados da doença no Estado, todos notificados pelo Brasil à Organização Mundial de Saúde Animal (OIE, na sigla antiga).
Numa primeira etapa, serão pagos R$ 10 milhões em indenizações, por cerca de 2.000 cabeças de gado. No total, estão liberados R$ 33 milhões, conforme determina a Medida Provisória 265, editada sexta-feira. O montante deve atender aos produtores de Mato Grosso do Sul e Paraná, mas os recursos reservados aos paranaenses só será liberado com a confirmação dos focos, o que ainda não aconteceu.
Dos R$ 33 milhões, R$ 20 milhões serão gastos com as indenizações, R$ 6 milhões com garantia de renda aos pecuaristas que tiveram o rebanho sacrificado, R$ 6 milhões para ações de controle na fronteira e R$ 1 milhão para outras ações.
O dinheiro destinado à garantia de renda dos pecuaristas será usado para compra da produção local, principalmente de leite.
As indenizações serão pagas pelo Banco do Brasil e o valor a ser entregue aos pecuaristas será o de mercado, praticado depois da confirmação dos focos. O Ministério calcula que hoje o valor da arroba no Mato Grosso do Sul é de R$ 45, contra R$ 55 no período que antecedeu o embargo.
A Agência Estadual de Defesa Animal e Vegetal (Iagro) está revendo a quantidade de gado que terá de ser abatido para eliminar o vírus da região Sul do Estado. O governo federal já fala em 20 mil reses, depois de chegar a divulgar que seria necessário o sacrifício de 6.400 animais. Até agora, foram sacrificados 2 mil reses.
Exportação - O presidente do Conselho Nacional de Pecuária de Corte e do Grupo Interamericano para Erradicação da Febre Aftosa (Giefa), Sebastião Guedes, admitiu que o reaparecimento da doença no País prejudicou o cenário de exportações de carne do Brasil. Até agora, 49 países suspenderam de forma total ou parcial as compras do produto nacional. ''As exportações poderão cair US$ 800 milhões ao longo de um ano'', calculou. Guedes classificou a situação como ''retrocesso''. ''Esse problema dificulta o acesso a novos mercados'', afirmou.
Guedes lembrou que o reaparecimento da doença prejudica as negociações para abertura do mercado do Japão, dos Estados Unidos e dos países do Sudeste Asiático para a carne bovina ''in natura''. Com os Estados Unidos, país para o qual o Brasil só pode vender carne industrializada, as negociações para vender carne fresca perduram por muitos anos.


