Pecuaristas questionam Ministério
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sábado, 11 de fevereiro de 2006
Fernanda Mazzini<br>Reportagem Local 
Pecuaristas e veterinários envolvidos com a crise da febre aftosa no Paraná estiveram ontem na redação da Folha para colocar em xeque a postura de técnicos do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) envolvidos no caso. Eles acreditam que a crise ultrapassou a discussão técnica e entrou no campo político. ''Em tudo isso vemos uma grande armação do ministério para nos colocar em apuros'', afirmou Raimundo Tostes, coordenador do curso de Medicina Veterinária do Cesumar (Maringá) e doutor em Patologia Animal. A Fazenda Cesumar é considerada suspeita de aftosa desde outubro.
Além de Tostes, estiveram na redação os pecuaristas londrinenses Alexandre e José Moacir Turquino, organizados do Leilão 10 Marcas que comercializou animais trazidos do Mato Grosso do Sul; André Carioba Filho, proprietário da Fazenda Cachoeira, considerada foco da doença; Bruno Alexandre Von Der Leyen, proprietário da Fazenda Santa Izabel (Grandes Rios), também considerada suspeita; Clayton Lopes de Paula, veterinário; Ricardo Jorge Rocha Pereira, advogado de cinco pecuaristas; e o pecuarista José Antônio Fontes.
Segundo Tostes, o Mapa não defende critérios técnicos. ''Os trâmites para a confirmação do suposto foco já ultrapassou todas as escalas temporais e lógicas. O prazo, inclusive seguindo as normas da OIE (Organização de Saúde Animal), já foi excedido. Estamos denunciando que a discussão foi para o plano político'', frisou. Para o advogado, a forma com que o Mapa está conduzindo a questão da aftosa no Paraná ''fere todos os princípios jurídicos e o exercício da cidadania''. ''O decreto do foco de aftosa ocorreu mais para atender acordos mercadológicos com a União Européia do que propriamente as normas sanitárias'', comentou.
Segundo os pecuaristas, quando foi levantada a suspeita de aftosa foram colhidos material para realização de exames de sorologia e de Probang de animais das quatro fazendas inicialmente envolvidas. ''Como os exames deram todos negativos e um foco não poderia ser caracterizado, eles inventaram sem qualquer critério efetivo o foco na Cachoeira'', comentou. Inclusive, até a confirmação do foco, foi feito um acordo pessoal com o ministro, que não foi cumprido, e uma ''coleta traiçoeira e furtiva'' de material nas fazendas que não havia sido acordado.
De acordo com os pecuaristas, caso o Ministério confirme novos focos no Paraná será feita uma grande mobilização estadual com envolvimento de setores públicos, privados, instituições de ensino e profissionais da área. ''Só queremos saber onde está a Seab. Esse silêncio causa menos preocupação se for exatamente por não saber o que fazer. A nossa preocupação é que esse silêncio seja de cumplicidade com o ministério (Mapa)'', salienta Tostes. Para o pecuarista José Moacir Turquino o único vírus de aftosa existente no Paraná é o tipo ''v'', de virtual.
A reportagem não conseguiu contato com o Mapa ontem à noite.


