Pecuaristas querem marketing para carne brasileira na UE
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 02 de fevereiro de 2001
Celia Baroni De Londrina 
O Brasil deve aproveitar o espaço deixado pela carne bovina de origem européia e ampliar a presença da carne brasileira no mercado internacional. A sugestão é de dirigentes de associações de criadores de raças de corte. Eles defendem que o governo aproveite o momento e invista em uma campanha mostrando a qualidade da carne brasileira para conquistar o mercado europeu.
A oportunidade é agora. Nós temos carne sadia e de qualidade para oferecer. Nosso governo não pode perder esta chance de ganhar este mercado, afirmou ontem o presidente da Associação Brasileira de Criadores de Limousan, Wilson Brockmnn.
Com a doença da vaca louca impedindo o consumo da carne produzida na UE, o mercado está aberto à importação. Tranquilos, os empresários não acreditam que o mal da vaca louca possa chegar ao Brasil. Mas aprovam as medidas de prevenção tomadas pelo governo brasileiro.
A iniciativa, dizem, é importante para combater o que consideram mais uma tentativa da UE de denegrir a imagem da carne dos seus principais concorrentes. Para Brochmnn, a decisão da UE de defender uma fiscalização, sugerindo que o gado de outros países também pode estar contaminado pela doença, é uma manobra política-econômica.
Foi a maneira encontrada por eles para reduzir o impacto do efeito da doença e minimizar a perda dos consumidores para a carne de países como o Brasil, analisa. O veterinário e pecuarista Pedro Branco, reforça a opinião de Brochmnn. Explica que o manejo do gado no Brasil não oferece brechas para a entrada da doença da vaca louca no País.
O animal é contaminado pelo vírus que causa a doença através da ingestão de ração de origem animal feita com restos (ossos). Esta ração é amplamente utilizada em países de invernos rigorosos e longos. A utilização deste tipo de ração já era pouco usada no Brasil quando foi proibida em 1996.
Hoje, 95% do gado brasileiro é de pastagem. Mesmo os que passam por confinamento recebem apenas ração de origem vegetal complementada com sais minerais - mais eficiente e barata. Todo cuidado é pouco, principalmente em um momento em que a carne brasileira começa a ter a credibilidade merecida lá fora, alerta.
A preocupação dos pecuaristas é que a reação do governo às insinuações de que o nosso produto também pode estar contaminado seja branda. O pecuarista Roberto Neszlinger ressalta que uma resposta amena poderia afetar inclusive o mercado interno.
Ele defende também a necessidade de uma campanha de esclarecimento voltada para o consumidor brasileiro. Este problema está sendo abordado como se a doença estivesse no quintal da nossa casa. O Brasil não tem e nunca teve nenhum caso da doença. Se isto continuar corremos o risco de ver o consumo interno se retrair, analisa.


