Brasília - Os integrantes do Fórum Nacional Permanente de Pecuária de Corte da Confederação Nacional da Agricultura (CNA) estão ameaçando se afastar do programa de promoção da carne bovina, caso o governo não interfira para evitar as importações de carne da Argentina por parte dos frigoríficos brasileiros.
O programa para promover a carne brasileira no exterior está sendo desenvolvido pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec) e pela Agência de Promoção de Exportações (Apex), com o apoio do Ministério da Agricultura.
O presidente do Fórum, Antenor Nogueira, disse que se as importações continuarem ocorrendo no setor, cujos abates estão estimados em 34 milhões de cabeças de gado nesta safra, há o risco de desestruturação completa. ‘‘Estamos em plena safra de carne. E no ano passado geramos US$ 1 bilhão em divisas para o País’’, afirmou.
A razão para os frigoríficos importarem carne desossada congelada da Argentina é simples: a arroba (15 quilos) do boi naquele país custa cerca de US$ 8 enquanto no Brasil está cotada em torno de US$ 17. Além disso, por ser parceira do Mercosul, a Argentina está isenta do pagamento do Imposto de Importação.
Nogueira foi informado ontem de que o governo nada pode fazer para impedir as importações. Como consequência das aquisições de carne argentina, Nogueira diz que os frigoríficos de São Paulo e Mato Grosso do Sul, que estavam pagando R$ 46,00 pela arroba do boi gordo na sexta-feira, agora estão oferecendo R$ 41,00 e R$ 43,00 pelo produto.
Na próxima quarta-feira, o Fórum fará reunião de emergência em Brasília para avaliar os danos causados ao setor pela aquisição da carne estrangeira.

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