Pecuaristas lamentam prejuízos causados pela greve do Defis
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quarta-feira, 09 de novembro de 2011
Mariana Fabre <br> Reportagem Local 
''Se houver algum problema grave, quem vai pagar a conta são os pecuaristas.'' A crítica é do presidente da Associação Nacional dos Produtores de Bovinos de Corte (ANPBC), José Antônio Fontes, em relação aos prejuízos causados pela greve dos servidores do Departamento de Fiscalização e Defesa Agropecuária (Defis). Fontes chama a atenção para a necessidade urgente de um entendimento entre a Associação dos Fiscais da Defesa Agropecuária do Estado do Paraná (Afisa-PR) e a Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento (Seab). ''A presença dos fiscais é indispensável para garantir a proteção do Estado'', ressalta.
O presidente da ANPBC aponta quatro problemas principais gerados pela paralisação. O primeiro deles é a falta das vacinações com agulha oficial, aquelas feitas pelos próprios servidores do Defis em assentamentos e áreas de difícil acesso ou consideradas de risco. Para ele, isso reduz o número de animais imunizados. Outro fator que apresenta risco para a produção no Estado, segundo Fontes, é a redução da fiscalização nas fronteiras. ''As fronteiras do Paraná estão abertas e as vistorias só são realizadas quando os motoristas param os veículos voluntariamente. Isso é muito preocupante'', alerta.
Outro questionamento se dá em relação à limitação da emissão de Guias de Trânsito Animal (GTAs) em 30% e somente para fins de abate. Fontes avalia que essa medida prejudica os pecuaristas, que ficam impedidos de realizar a transferência de animais entre propriedades e de transportá-los nos casos de aquisição em leilões. Por fim, o presidente da ANPBC revela que as visitas periódicas do Defis às propriedades consideradas de risco, para acompanhar a vacinação, também não estão sendo realizadas. ''A greve é um direito dos fiscais, mas estamos desprotegidos e não podemos correr esse risco'', argumenta.
O diretor do Defis, Marco Antonio Teixeira Pinto, afirma que a greve deve ser considerada uma mobilização, tendo em vista que os servidores continuam comparecendo aos locais de trabalho e executando grande parte de suas atividades. Segundo ele, por esse motivo não é possível mensurar a adesão ao movimento. Teixeira Pinto admite, no entanto, que a paralisação interfere em alguns serviços do Departamento.
A Seab alega que está analisando as medidas necessárias para ampliar a emissão de GTAs. Já em relação às vacinações assistidas, o diretor do Defis afirma que elas estão sendo realizadas em alguns locais, mas lembra que o número de propriedades atendidas varia muito conforme a campanha, impossibilitando o cálculo das perdas neste caso. ''Mas a falta de fiscalização nas fronteiras realmente prejudica o setor e pode colocar em risco o rebanho paranaense'', alerta. Segundo Teixeira Pinto, a Secretaria está buscando caminhos para solucionar o impasse, verificando juridicialmente se a greve é legal, tendo em vista que a reivindicação é considerada inconstitucional.
O presidente da Associação dos Fiscais da Defesa Agropecuária do Estado do Paraná (Afisa-PR), Rudmar Luiz Pereira dos Santos, afirma que o cenário continua inalterado após o segundo dia de greve. ''Agora existe uma luz para a solução do problema porque a Comissão de Agricultura da Assembleia está estudando a situação dos servidores do Defis. O Paraná não pode perder o know-how técnico que esses profissionais têm no trabalho de fiscalização'', afirma. Segundo Santos, a redução da emissão de GTAs demonstra que o movimento está organizado.
Adapar
Os deputados integrantes da Comissão da Agricultura da Assembleia Legislativa do Paraná aprovaram ontem a proposta do Governo do Estado de criar a Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar) e o projeto que dispõe sobre os cargos e carreiras dos futuros servidores da agência. Os deputados Pedro Lupion e Kleiton Kielse foram designados pelo presidente da Comissão, deputado Hermas Brandão Junior, para avaliar a condição salarial dos servidores do Defis após serem transferidos para a Adapar. As propostas seguem agora para votação em Plenário.


