Na região de Paranavaí, os pecuaristas estãos preocupados com a falta de opções para a abate dos animais. Os que estavam na escala do Frigorífico Margem para esta semana já sabem que terão prejuízos. Deverão manter os animais mais um tempo sendo alimentados no cocho, enquanto entram em outra fila de espera. ''Tenho um pecuarista com 300 cabeças para abate que está desesperado. Ele só tem comida para os animais até segunda-feira e a fila de espera está por volta de 10 dias'', disse ontem um funcionário (que pediu para não ser identificado) de um escritório comprador de Paranavaí.
Segundo o funcionário, essa semana o escritório ainda não havia fechado nenhum negócio, a espera de uma melhor definição do mercado. Ontem, segundo ele, havia sido definido que os animais para exportação seriam encaminhados para os frigoríficos Friboi e Bertin, no Estado de São Paulo. Os de consumo doméstico iriam para um frigorífico de Colorado (85 km ao norte de Maringá). Porém, segundo ele, a definição não ainda não tinha acalmado os ânimos.
''Boi tem de monte para vender. O problema é que os frigoríficos, além dos clientes regulares, ainda terão que atender essa demanda extra. A escala comprida acaba derrubando os preços'', disse. Segundo ele, até ontem, a arroba já estava sendo cotada, na região, a R$ 56 à vista e R$ 58, para 30 dias. Porém, a expectativa era que caísse ainda mais. ''Na verdade, quem faz o preço é o frigorífico. Com muita oferta na porta, o preço vai lá para baixo'', explicou.
A suspensão dos abates nas unidades do Frigorífico Margem em todo o País já refletem no preço do boi gordo. A mercadoria apresentou queda de R$ 1 por arroba, na última semana, em um período em que o mercado esperava valorização decorrente do aumento no consumo motivado pelo pagamento do 13º salário. A análise é de José Vicente Ferraz, diretor técnico da FNP Consultoria em São Paulo. No Estado, onde a expectativa era de negócios a R$ 65 por arroba, o produto é vendido a R$ 63.
Segundo ele, as indústrias podem pressionar ainda mais os preços alegando aumento de oferta. Para Ferraz, a conjuntura não faz sentido. ''A demanda continua a mesma, quem comprava no Margem terá que comprar em outro lugar'', opinou.(Colaborou Carolina Avansini)

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