Pecuaristas esperam indenização do Canadá
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terça-feira, 27 de fevereiro de 2001
Agência Estado 
Entidades representativas da pecuária de corte iniciam na próxima segunda-feira a articulação de um encontro, possivelmente na Socidade Rural Brasileira, para decidir os caminhos jurídicos para defender uma indenização pelas perdas sofridas em consequência do embargo canadense à carne brasileira.
A normalização das exportações de carne bovina para o Canadá, Estados Unidos e México não é tudo que os pecuaristas querem no Mato Grosso do Sul. Eles aguardam medidas de ressarcimento dos prejuízos causados pelo embargo, baseado em falsas notícias sobre a existência da doença da vaca louca no rebanho brasileiro.
Dirigentes de organizações pecuaristas que comentaram sobre a expectativa de virem a receber indenizações pelas perdas preferem ficar no anonimato até que o governo se manifeste oficialmente sobre o problema. Durante o período de embargo, pelo menos 80 mil bois deixaram de ser abatidos no Estado, conforme estimativa dos técnicos da Associação dos Criadores de Mato Grosso do Sul.
Na cidade de Aquidauana, no Pantanal, onde o mercado de trabalho na área urbana é bastante limitado, foram demitidos mais de 500 trabalhadores do Frigorífico Independência, uma das empresas que exportam carne bovina para o exterior. O embargo, conforme lembram os pecuaristas, ocorreu numa época em que o Estado ainda estava sob o efeito das medidas de combate à febre aftosa. Nessa condição de comércio restrito, podia exportar apenas carne sem osso.
Desde a liberação do trânsito de bovino, que ocorreu há dez dias, os negócios anharam mais velocidade, segundo informação da Delegacia Federal de Agricultura (DFA). Já foram vendidos para outros Estados brasileiros 35.927 bois em pé, prontos para o abate. O dirigente do órgão, Antônio Roldão, disse que nos últimos dez dias concedeu 364 autorizações, das quais 357 guias referem-se às compras feitas por frigoríficos de São Paulo.
O Mato Grosso do Sul vende em média 2,2 mil bois vivos por dia para diversos Estados e realiza, em média, 10 mil abates diariamente para cumprir os contratos de exportação.


