Alternativas de comercialização do boi gordo sem prejuízos para os produtores foram apresentadas ontem de manhã para cerca de 30 pecuaristas de toda a região, durante uma palestra ministrada no Sindicato Rural de Londrina pela economista Fabiana Perobelli. Segundo informações do próprio sindicato, o poder de negociação dos pecuaristas do Norte do Paraná junto aos frigoríficos é baixo e menos de 1% deles faz uso de ferramentas como bolsas de mercadorias para garantir preços que cubram os custos de produção.
Fatores sazonais como os longos períodos de estiagem e de chuvas, além da especialização e aplicação de novas tecnologias no confinamento forçaram a baixa no preço da arroba, cotada atualmente em cerca de R$ 58. Para o presidente da Associação de Produtores Rurais de Londrina, Narciso Pissinati, o preço atual não cobre os custos de produção da maioria dos pecuaristas.
''O mercado na região está pouco movimentado e o Estado conta com poucos frigoríficos. Isso acaba obrigando o produtor a vender o boi a preços baixos, muitas vezes menores do que o valor de custo para a engorda. Até porque a metade do que é produzido aqui vem de confinamento, inflacionando a produção'', explicou. Pissinati acredita ainda que, dos cerca de 200 filiados aos sindicato, apenas um ou dois deles se utilizem de recursos para proteção de preços de venda, como bolsas de negócios.
A proposta apresentada por Fabiana Perobelli, que também é técnica da Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F), é de que os produtores passem a vender o boi gordo pela bolsa, estipulando preços que cubram os custos com base em previsões de mercado.
O princípio de defesa de preços pela bolsa, segundo Fabiana, é simples. ''Os produtores estipulam em contrato o preço pelo qual desejam vender a arroba do boi. Ao mesmo tempo, os frigoríficos definem o quanto querem pagar. Se o preço do mercado, no período de negociação, estiver abaixo do esperado pelo produtor, a bolsa garante o recebimento da diferença. Ao mesmo tempo, se ele estiver acima, o produtor é quem paga a diferença para os fundos da bolsa. O princípio é invertido para os frigoríficos'', explicou.
Segundo a economista, o funcionamento da bolsa não permite especulações e ganho de dinheiro, mas garante a cobertura dos custos de produção com a margem de lucro esperada pelo pecuarista. ''De qualquer forma, o preço estipulado em contrato estará garantido, o que vai cobrir custos e garantir um lucro mínimo. Essa tem sido a maior dificuldade nas negociações este ano'', afirmou Fabiana.
A dificuldade foi confirmada pelo pecuarista Ivo Casagrande, de Santo Antônio de Sabáudia (65 km a oeste de Londrina). Casagrande, dono de um rebanho de cerca de 100 cabeças, afirma que dificilmente consegue preços pelo boi gordo condizentes com os custos de produção. ''O poder de negociação está nas mãos do frigoríficos. Se não usarmos ferramentas como a bolsa, estaremos perdidos'', opinou.
Informações sobre o funcionamento da bolsa podem ser obtidas no site www.bm&f.com.br

mockup