Pecuaristas de zonas tampão denunciam perdas de mercado
Eduardo Magossi
Agência Estado
Os pecuaristas das áreas que foram fechadas ao livre trânsito de bois para o Circuito Pecuário Centro-Oeste estão registrando prejuízos diante da impossibilidade de vender seus bois para os grandes centros consumidores, como o Estado de São Paulo. Estes produtores, das zonas conhecidas como tampão de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás apenas podem vender seus bois internamente e a um preço menor que normalmente seria comercializado.
Eles também não estão encontrando kits de sorologia de aftosa junto aos órgãos de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura, o que tem impedido que consigam vender o seu gado para outras regiões exteriores às zonas tampão. As zonas tampão são áreas delimitadas que separam uma região que é considerada livre de aftosa e outra onde a possibilidade de ocorrência da doença ainda existe. De acordo com o Ministério da Agricultura, gado criado nas zonas tampão não pode ir para áreas livres sem a realização de exames sorológicos. Porém, não há kits suficientes para a realização dos exames. Dentro das zonas tampão, o excesso de oferta de animais está provocando a queda dos preços da arroba.
Aguinaldo de Almeida Prado, pecuarista do Mato Grosso, vem sofrendo com o fechamento das fronteiras entre zonas tampão e zonas livres desde agosto de 1999. Crio gado nelore precoce em minha propriedade em Comodoro, no Mato Grosso, e os engordo em outra fazenda, em Andradina, em São Paulo, disse. A cidade de Comodoro situa-se na divisa de Mato Grosso com Rondônia, onde existe uma zona tampão, para controlar o fluxo de bois entre uma área de risco (Rondônia) e outra em vias de ser declarada área livre de aftosa (Mato Grosso).
Ele conta que costumava trazer os bezerros de MT para engordar em SP mas, a partir de agosto de 1999, quando as fronteiras foram fechadas entre zonas tampão e zonas em vias de serem livres de aftosa para a realização de sorologia do Escritório Internacional de Epizootias (OIE), este trânsito foi proibido pelo governo.





