Os pecuaristas envolvidos com os focos de febre aftosa no Paraná rebateram ontem as informações do secretário de Sanidade Agropecuária (DSA) do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Gabriel Maciel, a respeito da confirmação da doença. ''Os resultados trarão esclarecimentos, estamos serenos e confiantes. Mas não vamos ficar antecipando resultados, a sorte está lançada'', disse o veterinário Raimundo Tostes, coordenador do curso de Medicina Veterinária do Cesumar (Maringá) e doutor em Patologia Animal.
Tostes é assessor técnico dos pecuaristas e participou da coleta de material durante necropsia dos bovinos. Ele garantiu que os resultados dos exames apontarão algum resultado - positivo ou negativo - a respeito da circulação viral no Paraná. ''Qualquer antecipação é pura falácia, se o resultado for negativo é um indicativo concreto de que não teve circulação viral no Estado. Pedimos os exames para esclarecer o problema, para investigar a ocorrência do doença no rebanho'', afirmou.
O veterinário acrescentou que o período de quatro meses, entre a suspeita e a confirmação do foco, pode confirmar a incidência da aftosa. ''Conforme dados técnicos e científicos o vírus permanece em vários tecidos por um período de seis meses a dois anos'', salientou. Tostes ainda disse que a confirmação dos focos no Estado não foi baseada em investigações técnicas ''porque não suportariam o diagnóstico apontado''. Inclusive, o veterinário classifica como ''inverídica'' a informação de que todos os focos foram confirmados com bases em exames de sorologia que apresentaram reação superior a 12%.
''Temos os laudos arquivados no Cesumar. Na propriedade o resultado foi de 0,8%'', ressaltou Tostes. Ainda na avaliação do veterinário, os pecuaristas do Paraná não têm qualquer culpa do surgimento da doença. O Estado, inclusive, teria obtido o maior índice de cobertura vacinal do País na campanha contra a febre aftosa, com um resultado de 99,4%. ''O governo não investiu o que precisava na defesa agropecuária, não estabeleceu uma agenda positiva que se antecipasse ao surgimento dos focos, não contratou e não treinou pessoal. Já cerca de 60% dos recursos do Fundo de Erradicação da Febre Aftosa são da iniciativa privada e somente um terço desse dinheiro foi aplicado'', informou.

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