Pecuaristas alertam para o risco de febre aftosa
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quarta-feira, 10 de abril de 2002
Benê Bianchi Reportagem Local 
Londrina - Pecuaristas que participam da 42ª Exposição de Londrina receberam com preocupação a notícia de que municípios do Sudoeste do Paraná estão servindo de porta de entrada clandestina para animais vivos da Argentina, que só pode vender gado para o Brasil mediante autorização especial do Ministério da Agricultura. Na importação, os animais têm que passar por rigoroso esquema de vigilância sanitária e quarentena, como medidas para evitar a entrada da febre aftosa no Paraná.
O Estado tem a certificação de área livre da aftosa com vacinação desde maio do ano passado e poderá conseguir a condição de Estado que não depende da vacinação a partir do próximo ano. Mas se for registrado algum foco da doença todo o trabalho feito até agora será perdido, prejudicando as boas perspectivas de exportação de carne.
O presidente do Núcleo de Criadores de Simental de Londrina, Adalgiso Casquel, ressalta que a fronteira seca entre Brasil e Argentina é extensa e necessita uma vigilância eficaz para se evitar a entrada de animais do país vizinho. Se está entrando animal vivo é porque alguém consente e outros compram. É preciso fiscalizar frigoríficos e também os criadores, defende.
O presidente da Associação dos Neloristas do Paraná, Alexandre Kireeff, destaca que o abate dos animais localizados é fundamental para que o Paraná mantenha sua posição de área livre da aftosa. Para ele, essa eventual entrada de animais vivos não coloca em risco a posição da região, por enquanto.
Além de uma efetiva fiscalização, o presidente do Núcleo de Criadores de Guzerá no Paraná, Eduardo Fabretti Santos, acrescenta que é preciso punir os responsáveis pela entrada dos animais vivos. O Brasil está num momento de expansão das exportações e qualquer problema comprometeria toda a cadeia produtiva do País, considera.
O presidente da Associação Brasileira de Angus, José Roberto Pires Weber, defende a elaboração de um projeto de controle sanitário conjunto entre os países do Mercosul. É difícil pensarmos no Brasil livre da doença se nossos vizinhos não são. As fronteiras secas são difíceis de controlar.


