Os seis pecuaristas que tiveram suas propriedades confirmadas como focos de febre aftosa na última segunda-feira decidiram não impetrar ação judicial para questionar a incidência da doença. No entanto, o sacrifício sanitário imediato está condicionado a realização de uma necropsia nos bovinos que apresentaram reação nos exames sorológicos divulgados pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). A necropsia foi acertada com representantes do Mapa e da Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seab) durante reunião realizada na quarta-feira à noite em Maringá.
Ontem, a assessoria de imprensa da Sociedade Rural do Paraná divulgou uma nota de esclarecimento com a posição dos pecuaristas. Segundo a nota, os materiais coletados serão encaminhados ao Centro Pan-Americano de Febre Aftosa (Panaftosa) para a realização dos exames. Ao todo, cerca de 4,5 mil bovinos serão sacrificados. Os animais estão espalhados em quatro municípios: Bela Vista do Paraíso, Grandes Rios, Loanda (dois focos) e Maringá (dois focos).
''Com a finalidade de resgatar a continuidade da atividade do agronegócio, obstruído pela crise instituída com o evento 'febre aftosa no rebanho paranaense' e atender aos protocolos de comércio internacional, firmados pelo governo federal, os proprietários rurais afirmam que aceitam o sacrifício dos animais, com o objetivo de solucionar todo o impasse técnico criado'', afirma a nota. No entanto, eles reiteram que ''não há a presença do vírus da febre aftosa em seus rebanhos. Portanto, não tem aftosa no Paraná''.
Com esse caminho encontrado, os pecuaristas dizem esperar contribuir para demonstrar a necessidade de readequação das normas dos protocolos de comércio ao sistema produtivo (livre de aftosa com vacinação). ''E efetivamente restabelecer as atividades da produção de pecuária de corte e dos demais setores que igualmente ficaram paralisados em nosso Estado'', afirma a nota de esclarecimento.
Agora, o próximo passo é fazer a avaliação do rebanho das propriedades para fins de indenização. A Comissão de Avaliação ainda estava sendo montada ontem e os nomes ainda deverão ser publicados em Diário Oficial. O Instituto Ambiental do Paraná também terá que fazer um estudo de impacto ambiental em todas as propriedades. A previsão é que os trabalhos sejam iniciados na próxima semana. No entanto, um entrave pode ser a postura do governo estadual, que se nega a arcar com os custos do sacrifício na Fazenda Cachoeira, em São Sebastião da Amoreira (47 km ao sul de Cornélio Procópio), como abertura das valas, compra de mantas texturizadas e de anestésicos.

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