Pecuarista retém boi para elevar preço
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quinta-feira, 24 de outubro de 2002
Carolina Avansini<br>Reportagem Local 
A expectativa com o resultado das eleições e a valorização do dólar elevaram o preço do boi gordo em 9% no último mês. Por causa do cenário de incerteza na economia, pecuaristas estão segurando os animais no pasto, restringindo a oferta e aumentando a cotação. Anteontem, a mercadoria foi cotada a R$ 54,87 pela Esalq/BM&F. Há um mês, custava R$ 50,34 e no mesmo período de 2001, foi negociada a R$ 47,29. No último ano, a valorização foi de 16%.
''Ninguém está querendo vender. O boi é uma moeda mais segura'', avaliou Fabiano Ribeiro Tito Rosa, analista da Scot Consultoria, de Bebedouro (SP). Ele acrescentou que os frigoríficos nacionais estão desabastecidos e acabam cedendo à pressão do mercado, que deve continuar firme.
Tito Rosa explicou que os confinamentos estão chegando ao fim e, por causa da estiagem, só haverá oferta de animais a pasto no ano que vem. ''Além disso, os criadores esperam melhora na cotação em dólar'', ressaltou.
O pecuarista José Antônio Fontes, de Londrina, acredita que a pecuária é um bom negócio em tempos de turbulência econômica. ''Não há risco de perda. Se o pecuarista não vende, o boi continua ganhando peso no pasto'', comentou.
Apesar da opinião otimista, ele não se animou com a alta e considera que o momento é de ''extrema dificuldade'' para a atividade. ''A arroba está valendo U$ 13,76. Em dólar, é a cotação mais baixa dos últimos 15 anos'', reclamou. Fontes aposta em um cenário mais favorável para os próximos dois meses. ''A esperança é que o boi continue valorizando e o dólar caia.''
Euclides José Formighieri, de Cascavel, também prefere manter os animais no pasto ao invés de comercializar. ''Só vendo para fazer a reposição. Nesses perídos de incerteza, é melhor ficar com a mercadoria.''
Para Péricles Salazar, presidente do Sindicato da Indústria da Carne do Paraná (Sindicarne), nessa conjuntura o maior prejudicado é o consumidor. ''Os frigoríficos estão repassando a alta para o varejo. Como a renda dos brasileiros não melhorou, a tendência é diminuir o consumo'', disse.


