Curitiba O pecuarista Eduardo Baggio disse ontem que um grupo de produtores de Paranavaí está disposto a dar um voto de confiança ao frigorífico Margen, que inicia a compra de animais na próxima segunda-feira. Segundo Baggio, os pecuaristas da região Noroeste estão dispostos até negociar um prazo para pagamento para que o frigorífico volte a funcionar normalmente. Ele destacou a importância do Margen para os pecuaristas paranaenses, porque é o único frigorífico exportador do Paraná.
Baggio entrou em contato com a Folha para esclarecer sua participação durante reunião promovida pela Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento, anteontem, em Curitiba. A reunião contou com representantes dos pecuaristas paranaenses e órgãos do governo. Durante o encontro, Baggio e demais produtores defenderam uma revisão tributária para que o setor frigorífico não fique com a mancha de sonegador. O secretário Orlando Pessuti convocou a reunião para discutir a organização do setor após o retorno do frigorífico às atividades normais.
Para Pessuti, o retorno dos abates no frigorífico Margen tranquiliza os pecuaristas no Paraná. ''Entretanto, devemos identificar no episódio uma oportunidade para reestruturar o setor à exemplo do que já aconteceu com a suinocultura e avicultura que se consolidaram no Estado e hoje são grandes exportadores'', afirmou. Pessuti aposta na entrada das cooperativas no setor da pecuária de corte. Citou a participação da Coopavel, em Cascavel, e da Corol, em Rolândia, cooperativas dispostas a entrar no setor de abate de animais e exportação de carnes.
Segundo Pessuti, a concentração do abate em poucos frigoríficos exportadores não interessa a ninguém, ''nem mesmo a indústria que acaba sendo mais onerada com o excesso de tributação'', afirmou. O secretário se referiu ao Margen, que é responsável por 40% dos abates inspecionados no Estado e 100% dos abates destinados à exportação. Além disso, o grupo é responsável pela geração de 2.300 postos de trabalho nas quatro unidades de abate localizadas nos municípios de Maringá, Paranavaí e Lupionópolis.
No início de dezembro do ano passado, o frigorífico Margen suspendeu os abates após uma operação da Polícia Federal, que culminou com a prisão de três sócios e dois diretores do frigorífico, suspeitos de sonegação fiscal. Com o fechamento da indústria, uma parte dos pecuaristas paranaenses reteram seus animais na propriedade e outra parte vendeu para frigoríficos de São Paulo e Mato Grosso do Sul.

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