A rastreabilidade anunciada pelo governo é um avanço mas deve enfrentar dificuldade nos grandes rebanhos de corte. A opinião é de Moacir Norberto Sgarioni, criador de gado e gerente de empresa, há 32 anos administrando pecuária soletiva de corte. Ele disse que os criadores vêm preparando para um mercado mais organizado e concorrido. Ao ser entrevistado ontem por este jornal, Sgarioni também previu mais um ano de expansão para a carne brasileira, com crescimento no mercado interno e externo; no mercado interno prevê aumento na demanda decorrente de ganhos do poder aquisitivo do consumidor.
A nova política cambial confere competitividade à carne bovina argentina mas, ao contrário da soja, esse produto levará ainda algum tempo para retomar sua condição anterior. Portanto, a Argentina é concorrente, mas não chega a oferecer obstáculo à conquista de espaço por parte da carne brasileira.
Com relação à volta da Argentina ao mercado internacional da carne, Sgarioni acha que ela não é competitiva, a curto prazo. ‘‘Não é fácil reestruturar uma pecuária que tem um custo de engorda baseado em proteínas e gãos, com gado alimentado no cocho’’.
Se em termos de custo o Brasil tem a vantagem do gado criado a pasto - sendo este um diferencial em favor da sanidade - em termos de qualidade o produto brasileiro também é competitivo. Sgarioni relaciona uma série de avanços na genética, no manejo, nas pastagem e na gerência do negócio. O conceito do sal protêico nos períodos críticos das pastagens, por exemplo, representa um avanço da pecuária nacional, com ganhos na redução da idade de abate e melhoria da carne. Hoje, cerca de 90 das fazendas fazem
Sgarioni usa exemplos baseados nas novas fronteiras da pecuária, como Mato Grosso e Goiás, e da propriedade que dirige, em em Vila Bela, a 600 km ao noroeste de Cuiabá, com 57 mil cabeças de nelore, 20% das quais resultantes de cruzamentos com raças européias e 3 mil vacas nelore registradas. A fazenda bom índice de desfrute, 25% (média nacional é de 16%). O índice de nascimento é de 86,5% utilizando inseminação artificial. Índice de perda de apenas 1,4% machos e fêmeas é de 212 kg, totalmente a pasto.
‘‘Não adianta você ter uma vaca que desmama um bezerro com mais 220 se o intervalo de parto fica abaixo de 70% ou vice-versa: intervalos entre partos pequenos, porém gerando bezerros muito leves’’, cita Sgarioni, com exemplo. Este porém é apenas um dos parâmetros aferidores de eficiência da fazenda, para manter nível regular de rentabilidade. Outro aspecto destacado pelo empresário e técnico é produção em escala: com margem muito estreita de lucro, se o produtor não tiver volume, a eficiência cai e a rentabilidade também.

mockup