Pecuarista mantém preço do boi gordo
Vânia Casado
De Curitiba
Apesar da estiagem, que persiste há mais de 50 dias no Paraná, os pecuaristas estão com fôlego para segurar o boi no pasto e com isso conseguem sustentar os preços em alta. Na semana passada, os preços chegaram a recuar R$ 1,00 por arroba, passando de R$ 31,00 para R$ 30,00 a arroba, mas com a proximidade de início de mês, onde a demanda por carne se fortalece, o preço do boi gordo voltou a oscilar entre R$ 31,00 e R$ 32,00 a arroba, conforme a região.
Para o médico veterinário da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento, - Adélio Borges, os grandes pecuaristas estão complementando a alimentação dos animais com suplementação e com isso estão evitando a perda de peso. Além disso, em algumas propriedades há sobra de pasto alto, apesar de seco, que ainda pode ser aproveitado para alimentação animal. Segundo o técnico, as pastagens que já vinham secas viraram um feno com a estiagem ocorrida há 15 dias, o que ainda permite uma alimentação aos animais, acrescentou o técnico.
Segundo Borges, a tendência dos grandes pecuaristas é manter os animais no pasto, enquanto a relação de troca com o gado de reposição não ficar mais favorável. Atualmente, eles pagam em torno de R$ 250,00 por um bezerro, sendo que na relação de troca eles têm de vender um boi de 16,5 arrobas para repor 2,1 bezerros. A relação aceitável é trocar um boi por 2,4 bezerros, disse o técnico. Borges destacou que os pecuaristas estão com poder de fogo porque sabem que a desova de gado confinado programada para meados de setembro não tem volume suficiente para mexer com o mercado.
Mas com o prolongamento da estiagem, mesmo com suplementação na alimentação, a tendência do gado é de perder peso, porque o pecuarista não terá pasto suficiente para engordar os animais. A não ser que chova em setembro, afirmou. Mesmo assim, com o retorno das chuvas, o técnico alertou que as pastagens podem entrar em decomposição porque já estão muito secas. Isso dificulta uma rebrota futura que pode ocorrer somente entre 50 e 60 dias.
Enquanto isso, os frigoríficos estão trabalhando praticamente sem margem de rentabilidade porque não conseguem repassar a alta do preço do boi. Segundo o Sindicarnes, os frigoríficos estão comprando o boi a R$ 32,00 a arroba e vendendo no varejo por R$ 30,50 a arroba. A venda de subprodutos é que está minimizando o impacto da falta de rentabilidade, disse Péricles Salazar, diretor-executivo do Sindicarnes.





