Pecuarista impetra nova ação
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segunda-feira, 13 de fevereiro de 2006
Fernanda Mazzini<br>Reportagem Local 
O pecuarista André Cristiano Muller Carioba, proprietário da Fazenda Cachoeira, em São Sebastião da Amoreira (47 km ao sul de Cornélio Procópio), impetrou ontem ação na Justiça Federal. O objetivo é demonstrar que não existe o vírus circulando entre o rebanho da propriedade e, consequentemente, conseguir a manutenção da liminar que impede o sacrifício sanitário dos 1.795 bovinos. A liminar havia sido obtida, no mês passado, através de medida cautelar inominada.
A ação ainda irá pedir o ressarcimento dos prejuízos acumulados pela alimentação dos animais - uma vez que os bovinos seriam abatidos até o Natal - e pelos danos à imagem do pecuarista. O foco foi confirmado no início de dezembro. ''Iremos pedir ainda que o ministério (da Agricultura, Pecuária e Abastecimento - Mapa) publique nos jornais de grande circulação que a Fazenda Cachoeira nunca teve o vírus da febre aftosa e que faça a comunicação à OIE (Organização de Sanidade Animal)'', disse o advogado do pecuarista Ricardo Jorge Rocha Pereira.
A prova de que o rebanho está livre da doença vem dos próprios laudos de exames Probang (que isola o vírus no líquido esofágico-faríngeo), já apresentados pelo Mapa. Foram juntados ao processo, 143 diagnósticos com resultados negativos. O Mapa também apresentou os resultados dos exames de sorologia. De acordo com os laudos, 23 animais reagiram positivamente aos exames EITB (que detecta proteínas não estruturais do vírus), mas que não são considerados conclusivos por técnicos.
Desses 23, foi feito o Probang em 9, com resultados negativos. Nos outros 14 animais, o laboratório alegou que as amostras enviadas pela Secretaria de Estado da Agricultura foram insuficientes. ''Queremos também que seja feito o Probang nesses 14 animais. Vamos continuar firmes para provar que o vírus da aftosa nunca circulou pela Cachoeira'', afirmou o advogado. O outro caminho usado pela defesa para provar que o rebanho ''nunca teve contato com o vírus'' é solicitar a necropsia de alguns bovinos.
Essa ação é pedida em caso de autorização do sacrifício do rebanho ou para provar ou não a existência do vírus no rebanho, como alega o Mapa. Segundo o coordenador do curso de Veterinária do Cesumar (Maringá), Raimundo Tostes, doutor em Patologia Animal, a análise das vísceras pode detectar a presença do vírus no boi.''Com esses resultados, que temos certeza de que darão negativo, teremos a prova final de que o ministério (Mapa) autorizou o extermínio dos bovinos por um capricho'', argumentou o advogado.
Ele acrescenta que autorizar sacrifício de animais sadios e pagar a indenização é caracterizado como ato de improbidade administrativa, ou seja, usar dinheiro público indevidamente.


