Pecuarista força alta no preço do boi
Vânia Casado
De Curitiba
Com a escassez de animais prontos para o abate e proximidade do período de entressafra, os pecuaristas decidiram forçar uma alta no preço do boi gordo para cobrir o aumento de custos após a desvalorização cambial. A pressão está sendo maior por parte de grandes pecuaristas, que têm condições de reter os animais no pasto, inclusive com suplementação alimentar para o rebanho. Nos últimos 15 dias a arroba do boi aumentou R$ 1,00, passando de R$ 29,00 para R$ 30,00. Para o pico da entressafra, a previsão é que o preço do boi atinja entre R$ 34,00 e R$ 35,00 a arroba no Paraná e R$ 36,00 a R$ 38,00, em São Paulo.
Já os frigoríficos não acreditam nessa tendência. O argumento é que o consumo retraiu muito e não há espaço para repassar o aumento da carne. Segundo o assessor do Sindicato da Indústria da Carne do Paraná (Sindicarnes), Gustavo Fanaya, houve sobra de carne no mercado paranaense no último fim de semana, que foi início de mês, período que a população consome mais o produto. Como consequência, os frigoríficos reduziram os abates da última semana, pela metade. O abate semanal que gira entre 18.000 a 20.000 cabeças, caiu para 10.000 cabeças. Para Fanaya, o pior é que e não há perspectiva de melhora na renda do consumidor até o final do ano para permitir o repasse de preços.
Para Adelio Borges, veterinário do Departamento de Economia Rural da Secretaria da Agricultura (Deral), o comportamento do clima será decisivo nessa queda de braço. Segundo ele, os preços do boi gordo só vão ceder se as temperaturas caírem muito nos próximos 15 ou 20 dias. E mesmo assim, quem conseguir manter o animal no pasto com suplementação, vai sair lucrando diante da escassez de animais para o abate, afirmou. Segundo Borges, os contratos futuros de boi gordo na Bolsa de Mercadorias de São Paulo estão aumentando, sinalizando que todas as empresas de consultoria de pecuária estão acreditando que o boi terá preços compensadores na entressafra de 99, tendo como quadro principal as previsões de meteorologia como inverno longo, rigoroso e seco.
Apostando nessas previsões, muitos pecuaristas e empresas de pecuária poderão decidir pelo confinamento até o final do mês, prática que haviam reduzido porque o sistema só trouxe prejuízos nos últimos três anos com a ausência de inverno, disse Borges. Só que a compra de boi magro para confinamento está difícil e cara. Segundo o técnico, um boi magro hoje não se compra por menos de R$ 370,00 a cabeça e um bezerro Nelore de um ano, varia entre R$ 220,00 e R$ 240,00 a cabeça.





