Pecuarista diz que não se sente culpado
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 25 de outubro de 2005
Vera Barão<br> Reportagem Local 
O pecuarista José Moacir Turquino considera uma fatalidade a possibilidade dos animais que participaram do leilão Dez Marcas em Londrina, durante a Eurozebu no início do mês, estarem com a febre aftosa. 'Qualquer pecuarista se sente triste com uma situação como esta, mas jamais me sinto culpado. Eu trabalho dentro das normas. Não me arrependi de ter feito o leilão. Se soubesse de alguma coisa, teria cancelado'', desabafou o pecuarista, que trouxe de sua fazenda, no Mato Grosso, 250 animais para participar do leilão. Desses animais comercializados, 19 são suspeitos de estarem com a doença.
Munido de documentos (notas, relatórios e GTAS), Turquino esteve na Redação da Folha em companhia do filho Alexandre, ontem no final da tarde, para dizer que todos os seus animais estão devidamente vacinado e foram transportados dentro das normas da Secretaria de Estado do Mato Grosso do Sul. Turquino afirmou que todos os seus animais foram vistoriados pela Vigilância Sanitária em Saúde Animal. ''Fui comunicado oficialmente que minha fazenda do Mato Grosso estava interditada no dia 10 de outubro - exatamente cinco dias após o leilão - por causa do foco na fazenda vizinha. Os bois transportados de lá para cá não apresentaram qualquer indício de estarem doentes'', afirma ele, mostrando notas da Vigilância do Mato Grosso do Sul.
Os animais trazidos do Mato Grosso do Sul ficaram alojados na Fazenda Flor do Café, em Bela Vista do Paraíso, pertencente a Turquino. Segundo ele, o gado que participou do leilão começou a ser trazido em fevereiro deste ano. A última remessa chegou no dia 23 de setembro. No dia 29 de setembro, um termo de visita de técnicos da Seab apontava que os animais estavam em bom estado nutricional. ''Se tivesse algum problema, não traria para minha fazenda de Bela Vista, onde possuo mais de 100 cabeças de gado''.
Para transportar o gado de Bela Vista até a Eurozebu, ocorrida no Parque de Exposições Governador Ney Braga, em Londrina, Turquino salienta que, novamente, os animais tiveram que passar por vistorias da Secretaria de Estado de Agricultura e Abastecimento (Seab) para emissão das GTAs. ''Olhe as GTAs da Seab, está tudo em dia'', mostrou a documentação, acrescentando em seguida: ''Na exposição são tão rigorosos que, se aparecer uma verruga num boi, ele está fora. O animal tem que estar perfeito. Faço leilões há 11 anos e vacino meu gado há pelo menos 40 anos'', complementou.
Após o foco de aftosa no Mato Grosso do Sul, ele disse que seus animais têm sido vistoriados periodicamente pela Vigilância Sanitária daquele Estado. Conforme relatórios dos órgãos sul-matogrossenses, a última vistoria teria sido feita no dia 19 de outubro e os animais não apresentam indícios da doença.
No Paraná, a Seab só interditou a Fazenda Flor de Café em Bela Vista do Paraíso no dia 14 de outubro. ''Não adianta culpar ninguém nesse momento. Acho que todos precisam se juntar para solucionar o problema. A liberação de verbas para quem teve o gado abatido tem que ser rápida porque os pecuaristas vivem disso'', ressaltou Turquino, lembrando que as vacinas também podem falhar. ''O manuseio e a temperatura têm que ser ideais. Na minha fazenda, eu mesmo vacino o gado junto com os peões.''


