''Não somos mais donos de nada. Nossas propriedades estão sendo vigiadas dia e noite. Estamos de mãos atadas'', desabafou o pecuarista Irineu Backi, de Grandes Rios, na região do Vale do Ivaí. Ele está jogando fora 350 litros de leite diariamente.
Enquanto não se conhece o resultado dos exames da febre aftosa, assim como Backi, outros produtores rurais dessas regiões amargam prejuízos com a interdição de suas fazendas. Em Grandes Rios, dos cerca de 400 produtores, pelo menos 150 não têm onde entregar o leite.
O entreposto da Confepar na cidade não está recebendo o produto. ''Não calculei os prejuízos que estou tendo desde a interdição porque senão fico doido. Quem vai pagar meu prejuízo?'', questiona Backi, que possui 33 alqueires onde mantém 280 cabeças de gado no sítio Santa Salete.
Com 300 cabeças de gado, o produtor rural Orlando Pereira, da Fazenda Alvorada, também em Grandes Rios, salienta que não avaliou os prejuízos. Ele vende bezerros para recria e corte. ''Não posso vender, não posso fazer nada. Aqui está tudo parado''. O representante de um frigorífico em Maringá, que tem propriedade em Grandes Rios, Adenilton Sassaki, mais conhecido por Takata, informou que os açougues e mercados do município estão comprando carne em Londrina.
O agronômo da Emater de Grandes Rios, Nelson Menolli Sobrinho, informu que somente dois laticínios, que estão com a capacidade quase esgotada, recebem leite na região para fazer queijo.(V.B.)

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