Lideranças rurais do setor de pecuária de corte pediram quarta-feira ao ministro da Agricultura, Francisco Turra, medidas contra o que consideram concorrência ‘‘desleal e predatória’’ que vêm enfrentando em razão das facilidades no financiamento de carne importada. Segundo o coordenador geral do Fórum Nacional de Pecuária de Corte, Antenor Nogueira, é muito melhor para o frigorífico comprar carne já embalada com 400 dias de prazo para pagar do que adquirir um boi no mercado interno com apenas 20 dias de prazo para o pagamento.
‘‘Operações deste tipo têm causado danos ao mercado e desestimulado o aumento da produção brasileira’’, disse Nogueira. Ele estava acompanhado de presidentes de federações de agricultura e sindicatos da Região Centro-Oeste, que também levaram outra preocupação do setor ao ministro: o trânsito sem controle de animais, que pode colocar em risco o programa nacional de erradicação da febre aftosa.
O ministro destacou o convênio firmado com o Banco Mundial para a aplicação de R$ 200 milhões no combate à febre aftosa em todo o País e disse esperar que em maio do ano que vem o Centro-Oeste, que tem um rebanho de 90 milhões de cabeças, seja considerado área livre de aftosa, a exemplo do que ocorreu no Sul.
Nogueira disse ainda que os recursos para o controle da vacinação contra a febre aftosa nos estados do Sul e no Centro-Oeste foram cortados do orçamento e as lideranças pediram a Turra para tentar descontingenciar este dinheiro, estimado em R$ 54 milhões, junto ao Ministério do Planejamento.

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