A Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab), em parceria com o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), já entregou a trinta e dois pecuaristas paranaenses o certificado de área livre de brucelose e tuberculose. Por meio do Programa Estadual de Controle e Erradicação das respectivas doenças, coordenado por Mariza Koloda, outras 17 propriedades estão em processo de certificação no Estado.
Segundo Cláudio César Sobezak, médico veterinário e chefe da divisão de Defesa Sanitária Animal da Seab, o início dos trabalhos para o combate às duas enfermidades começaram em 2001. ''Naquela época, o Paraná tinha muitos problemas com essas doenças'', esclarece. No caso da brucelose, segundo Sobezak, o Paraná só atingiu o atual status por meio da vacinação. Ele explica que o sucesso se deu depois que a medida preventiva se tornou obrigatória para animais de 3 a 8 meses de idade. A aplicação ocorre no período de maio até novembro.
Hoje, o Paraná tem cerca de 9,5 milhões de cabeças de gado. Em 2010, de acordo com dados da Seab, a vacinação de bezerros contra a brucelose chegou a 64%. Em 2009, foi registrado um índice de 63%. O chefe da divisão reforça que o objetivo da secretaria é elevar o número de vacinação para abranger 100% dos bovinos nos próximos anos. Para que isso aconteça, Sobezak aponta que deverão ser nomeados mais 38 médicos veterinários para ajudar nessa tarefa. Atualmente, a secretaria tem 132 técnicos espalhados em todo o Estado para orientar os pecuaristas no combate à brucelose e tuberculose.
O chefe da divisão destaca que a principal preocupação é com o risco de contaminação das pessoas que manejam esses animais infectados. Já o consumo dessa carne não é nocivo ao ser humano. O segundo malefício que o especialista sublinha são os prejuízos econômicos, pois em um estágio avançado das duas doenças, os animais são obrigatoriamente descartados. No início do estágio da tuberculose, por exemplo, os animais começam a perder peso e qualidade da carne. No caso da pecuária leiteira, ocorre a diminuição da produção.
Atualmente, de acordo com a coordenadora Mariza, a brucelose apresenta uma incidência de 1,73% de animais infectados em 4,01% das propriedades no Estado. E a tuberculose alcança uma incidência de 0,41% em cada grupo de 100 animais, em 2,33% das propriedades paranaenses. Hoje, no Estado são 160 mil animais com brucelose e mais 37,7 mil com tuberculose. Por isso que o status de livre das doenças na propriedade faz a diferença.
Para ter esse certificado, o produtor deve realizar exames, conforme o regulamento técnico do Programa Estadual de Controle e Erradicação das doenças, realizado pela Seab e o Mapa. Os animais da propriedade passam por três etapas de exames para que sejam certificados como livre das doenças. Na primeira são realizados, em um mesmo dia, exames de brucelose (sorológico AAT) e tuberculose (teste intradérmico TCS). Cerca de três meses depois é realizada a segunda etapa de exames e, após seis meses, a terceira. Caso não haja infestação, o certificado é liberado.

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