Pecuária moderna precisa de investimentos como lavoura
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quarta-feira, 05 de abril de 2017
Fábio Galiotto<br>Reportagem Local 
Não há mais espaço no Paraná para a pecuária do século passado, com o boi solto em grandes latifúndios e sem grandes preocupações com nutrição e genética, por exemplo. Manter um animal por hectare em um Estado onde a cultura de grãos toma boa parte da zona rural é como se o produtor andasse pela rua com o bolso furado. Por isso, criadores puderam conhecer na quarta-feira, 5, na ExpoLondrina, o conceito de pecuária moderna, que envolve tanto investimento quanto a lavoura, com uma preocupação que vai da genética às relações com o mercado. O evento foi promovido pela Emater e teve apoio da FOLHA.
Mais de 100 pessoas, entre pecuaristas, técnicos, pesquisadores e outros envolvidos com o setor, acompanharam as palestras no Recinto Milton Alcover, com o mote "Casos de sucesso na pecuária de corte". O secretário da Agricultura e Abastecimento do Paraná, Norberto Ortigara, abriu o evento e falou sobre a importância do manejo de pastagens e da sanidade bovina, para manter ao menos quatro cabeças por hectare e chegar ao abate em menos de 30 meses. "É uma cadeia que precisa ser resolvida de cabo a rabo", disse. "Temos força em genética e o que nos falta é a boia, a comida para os animais. Precisamos investir como faz o cara da lavoura", completou.
Ortigara citou alguns fundamentos do Programa Pecuária Moderna, lançado em 2015 pelo governo estadual, que visa fortalecer a atividade no Estado por meio de melhorias de índices zootécnicos, da qualidades das pastagens, além de maior remuneração na bovinocultura de corte. Ele citou a necessidade de se reduzir a taxa de mortalidade, a idade das matrizes para o primeiro parto e para o intervalo entre as crias, além de baixar a idade média do boi para o abate. "Claro que tem de ser jogo combinado com a indústria, para que seja ganha-ganha. Um boi mais novo, com boa cobertura, boa capa de gordura, bem formado, vale mais do que o boi sanfona."
O diretor técnico do Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater), Paulo Hidalgo, disse que há muita pastagem degradada no Estado, o que eleva o número de oportunidades. Ele lembrou do conceito Carne Carbono Zero, pelo qual a produção de bovino de corte com a introdução obrigatória de árvores em sistemas de integração do tipo silvipastoril (pecuária-floresta, ou IPF) ou agrossilvipastoril (lavoura-pecuária-floresta, ou ILPF) neutraliza o metano liberado pelos animais e atesta uma prática mais sustentável. "A rentabilidade pode ser muito superior com o uso de florestas", disse.

MANEJO E GENÉTICA
Engenheiro agrônomo da Cocamar Cooperativa Agroindustrial, Erick Zobiole foi o primeiro a fazer uma apresentação sobre a reforma de pastagens, na qual destacou o exemplo da Fazenda Santa Felicidade, em Maria Helena, Região Metropolitana de Umuarama. Em 312 hectares, a propriedade com solo arenoso sobrevive pela produção pecuária de corte, de leite, de soja, de milho e eucalipto. "Alguns fatores impulsionaram a ILPF dentro da fazenda, como o aprimoramento de técnicas de plantio direto na palha, a aplicação de pesquisas, o uso de capins-braquiária entre duas safras de soja, a ação contínua da Cocamar em fornecimento de insumos, recebimento de grãos e assistência técnica, além do surgimento de tecnologias", disse.
Zobiole conta que, apesar do solo não tão apropriado para o plantio de soja, a fazenda consegue produtividade média de 57 sacas de soja por hectare, enquanto a média na região é de 41. "Somamos os resultados das atividades de soja, pecuária e pecuária de leite e levamos maior sustentabilidade àquela fazenda, reduzindo e muito o risco de qualquer frustração em qualquer uma das atividades."
Na sequência, o sócio proprietário da empresa Firmasa Tecnologia para Pecuária e médico veterinário Luciano Penteado apresentou a importância da gestão de índices produtivos e reprodutivos na pecuária. Apesar de citar os resultados tidos como aceitáveis para se ter uma boa lucratividade no País, ele lembrou que é preciso ir além. Por exemplo, disse que a fertilidade bovina deve ser de mais de 85%, mortalidade de bezerros de menos 2,3%, mortalidade de adultos abaixo de 0,8% e produção de peso vivo de 350 kg por hectare.
Em termos de número de partos na vida útil da matriz, ele diz que o ideal são crias a cada 12 meses em dez anos. "Mil vacas produzindo a cada 12 meses geram R$ 12 milhões na vida útil. Se for em um intervalo de 15 meses, que todos acham que é bom, estou perdendo R$ 3,6 milhões, ou 21 mil arrobas nessa propriedade."


