O custo de produção da pecuária de corte no Brasil em 2015 registrou um aumento de 17,2% em 2015, crescimento maior do que o registrado pela inflação durante o período, que foi de 10,6% de acordo com cálculos realizados pelo Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI). O levantamento foi realizado pela Scot Consultoria.
Gustavo Aguiar, zootecnista e consultor da entidade, afirma que vários fatores contribuíram para esse aumento nos custos de produção do ano passado. A recomposição de preços de vários produtos que compõe a atividade pecuária, elevados devido à inflação, seria um dos fatores que acarretaram a elevação nos custos. Para começar, Aguiar já aponta o aumento no valor do frete e dos combustíveis, o que elevou o custo de deslocamento dos animais.
O aumento no valor da mão de obra também foi outro fator que contribuiu para o incremento nos gastos dos produtores de gado de corte. Além de escassa, a mão de obra está cada vez mais cara. Aguiar destaca também que a elevação do dólar frente ao real, que só no ano passado chegou a ultrapassar a barreira dos R$ 4, também resultou em um maior desembolso por parte do pecuarista na hora de comprar os insumos.
Produtos como fertilizantes e defensivos importados, utilizados no cultivo de pastagens, foram os que mais pesaram no bolso dos pecuaristas em 2015, observa o zootecnista da Scot Consultoria. Para este ano, completa Aguiar, o custo de produção tende a se manter em um patamar mais elevado, principalmente porque a moeda norte-americana não deve se desvalorizar em relação à moeda nacional.

Produtividade
João Ataliba de Resende Neto, produtor de gado de corte na região de Londrina, sentiu no bolso os impactos do aumento do custo de produção. No ano passado ele calculou que a propriedade gastou 20% do que era planejado. "Óleo diesel, adubo, sal, ração, ou seja, tudo subiu", lamenta o pecuarista. Segundo ele, o percentual dos custos de produção foi maior se comparado à valorização da arroba do boi.
A saída apontada por Neto, conforme apontou o zootecnista da Scot Consultoria, é investir em produtividade. Para 2016 o produtor aposta que a arroba do boi deve ficar na atual faixa de preços. Um dos fatores que animaram Neto neste começo de ano, segundo o especialista, foi o reajuste de 11,6% no salário mínimo, que passou para R$ 880,00. Na opinião dele, o aumento pode ajudar a aumentar o consumo de carne no Brasil, trazendo equilíbrio entre a oferta e a demanda. Ao todo, Neto possui um plantel de três mil cabeças de gado.

Valorização
Em contrapartida, a valorização da arroba do boi no último ano tornou um 2015 favorável à pecuária de corte, mesmo com o aumento nos custos de produção. "Os preços foram favoráveis principalmente para quem trabalha com cria e recria de animais", destaca o zootecnista da Scot Consultoria, Gustavo Aguiar.
No Paraná, segundo dados do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab), a média de preço da arroba do boi em 2015 foi de R$ 143,95, contra R$ 121,86/arroba de média contabilizada em 2014. O maior valor computado no ano passado foi registrado no mês de dezembro, quando a arroba do boi chegou a R$ 147,75.
Porém, Aguiar destaca que o lucro vai depender muito da eficiência em produtividade da propriedade. "O produtor tem que continuar investindo em produtividade", enfatiza o zootecnista. O Paraná possui um rebanho de 9,4 milhões de cabeças de gado de corte e leite.

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