Pechincha faz parte do negócio
Comprar em brechós, seja de que tipo for, exige uma atitude diferente por parte do consumidor. É preciso ter em mente que leva-se mais tempo do que o normal, pois garimpar é de lei. Quase todos os estabelecimentos visitados pela reportagem da FOLHA mantém certa organização, dividindo as peças por época, cor, tipo, ou ordem alfabética (no caso de livros e CDs). Mesmo assim, o visual montoeira faz parte do negócio.
Outro item importante é estar pronto para negociar. Pechincha faz parte do negócio. Também porque muitas vezes o comprador precisará gastar um pouco mais, ou ter trabalho extra para consertos e reformas. No caso de roupas, as peças terão que passar por lavagem em local especializado, ou em casa, com muito cuidado. Reparos e ajustes podem ser necessários . Poeira e mofo também fazem parte do roteiro.
Lucinei Gouveia é dona do Quebra Galho Azulejos. O local é um mundo à parte. No imenso depósito, repousam azulejos de todas as cores, tipos e tamanhos, dos mais antigos aos mais recentes. Estão separados por época e cores, guardados em caixinhas de madeira ou papelão. Pisos também fazem parte do acervo em que a garimpagem vale a pena.
Experiente, Lucinei e o balconista que a ajuda sabem encontrar o que o freguês precisa. Dificilmente a gente não tem o que a pessoa procura. Se não tiver, vou atrás e consigo, afirma ela, que conta com uma imensa rede de fornecedores. A variedade de cores e padrões de azulejos impressiona. E de gente que entra para comprar também. O telefone e o fluxo de clientes são constantes.
De acordo com a comerciante, a maioria das pessoas busca peças iguais para repor no ambiente, durante reforma. No entanto, cada vez mais gente especialmente jovens e decoradores que buscam material para restaurantes modernos está atrás mesmo da originalidade que existia em outros tempos.
Os desenhos aplicados nos azulejos dos anos 70 e 80 estão em alta, aponta a comerciante. Também nunca saem de moda os azulejos portugueses e os tradicionais florais. Lucinei explica que a maioria das cores e padrões não são mais fabricados por conta da industrialização.
Variedade para a casa também não falta nas lojas de móveis usados. Nelas, vale a pena buscar peças em madeira de qualidade, maciça, como não mais se fabrica. Penteadeiras, mesas, cadeiras, guarda-roupas, escrivaninhas e armários de louça estão entre os hits. Para melhorar, o design dos anos 50, 60 e 70 está em alta, o que contribui para a decoração de ambientes com móveis de época.
Evandro dos Santos, dono da Alternativa Móveis Usados, confirma. A maioria das pessoas vêm procurando uma peça boa, com jeitão de móvel antigo e boa qualidade, para decorar o ambiente. Hoje em dia, está mais fácil comprar móveis novos, mas há clientes reclamando que as peças estragam antes mesmo de acabarem de ser pagos, observa.
Santos, assim como os demais donos de brechós de móveis, compra as peças e revende sem mandar arrumar. Por isso, é comum os móveis apresentarem pequenos defeitos e demandar reparos. Nesse caso, o próprio Evandro indica um bom restaurador. Não raramente, porém, seus fregueses são donos de antiquários ou de reformadoras mais sofisticadas. Ali eles adquirem as peças que mais tarde serão recondicionadas e revendidas por valores bem mais altos. (B.M.)





