Pechincha, a antiga arte de economizar
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sábado, 02 de fevereiro de 2008
Érika Gonçalves<br>Reportagem local 
''Não dá pra dar um desconto, não?''. Quem nunca disse ou nunca ouviu essa frase em uma loja? É a famosa pechincha ou como se diz hoje, o desconto. Quem trabalha com comércio já está acostumado. A pechincha é tão antiga quanto o ato de comprar e vender. Antes das liquidações e promoções, as pessoas já se preocupavam em economizar e gastar menos.
Segundo o dicionário Houaiss de Língua Portuguesa, pechincha significa ''receber ou conseguir (vantagens, lucros, etc) sem esperar ou merecer; pedir abatimento no preço, procurar comprar barato; barganhar, regatear.'' Será que esse hábito ainda está em voga? É um comportamento das pessoas mais velhas ou os jovens também pechincham? A pechincha já chegou na internet?
Fátima Campos é Doutora em Economia e também dona-de-casa. Ela diz que quando faz suas compras, pesquisa os preços e também a qualidade do produto, mas não faz a negociação na hora. Ela diz que compara as taxas de mercado, como os juros da poupança, para decidir se vale a pena comprar à vista ou a prazo.
Fátima ressalta que a pesquisa de preços também tem um custo, seja de combustível ou de tempo. Dependendo do valor do produto, não compensa se deslocar para o outro lado da cidade, por exemplo. Às vezes o gasto com a pesquisa supera o desconto. A economista diz que procura usar dos meios de comunicação para saber os melhores preços, como as propagandas na televisão e os folhetos distribuídos pelos próprios mercados.
Para Fátima, o consumidor está mais tímido para pechinchar e se satisfaz com o desconto oferecido pelas lojas. Ele se limita a fazer pesquisa de preço. Em contrapartida, a margem de lucro das empresas está pequena e por isso os descontos não chegam a 10%.
Lídia Furuta, vendedora de uma loja de roupas diz que o hábito de pechinchar continua. ''Até os inadimplentes pedem desconto para quitar as dívidas''. Segundo ela, a loja onde trabalha já tem uma tabela diferenciada para o preço à vista e preço parcelado e por isso não costuma conceder descontos. ''A não ser que a loja esteja com alguma promoção'', afirma.
Outro vendedor acostumado com a pechincha dos clientes é André Duarte da Costa. Gerente de uma loja de tecidos, ele diz que é difícil o cliente que não pede desconto, mesmo que seja de centavos. Segundo ele, a loja cede conforme a compra do cliente, pois já trabalha com o preço à vista. Ele também conta que a matriz da loja fica em Cascavel e que lá é muito difícil as pessoas pedirem desconto, mas não sabe justificar o porquê. ''Talvez estejam acostumadas com o preço'', imagina.
André afirma que a concorrência também é responsável por esse hábito do consumidor, já que existem lojas que têm mercadoria inferior e consequentemente, preços menores. ''Os consumidores querem ter uma mercadoria melhor pelo preço da inferior''.
Nem os vendedores ambulantes escapam da pechincha. Pedro Miguel dos Santos vende guarda-chuvas e diz que as pessoas acham que por ele estar fora das lojas, obrigatoriamente deve vender mais barato. ''A gente segue o preço das lojas, vendemos até mais caro pois já compramos as mercadorias mais caras e em menor quantidade.'' Questionado pela reportagem da FOLHA se concede o desconto quando solicitado ele é categórico: ''não!''.


