Curitiba – ‘‘Quando as principais montadoras do segundo maior pólo automotivo do País concedem férias coletivas por falta de componentes, cujas cargas estão paradas no porto do Estado porque não são liberadas pela Delegacia da Receita Federal é porque o caso já virou uma catástrofe.’’ O desabafo é do diretor empresarial do Porto de Paranaguá, Lourenço Fregonese, ao participar de uma reunião com todos os respresentantes das empresas que operam junto ao porto.
Várias empresas relataram prejuízos que estão tendo com a operação-padrão deflagrada e a morosidade da burocracia por parte da Receita Federal (RF), em Paranaguá. A direção da Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (APPA) marcou uma nova reunião para hoje, quando entidades e empresas que operam na área portuária vão decidir como vão encaminhar o problema da paralisação de cargas que estão lotando os armazéns ao redor do Porto de Paranaguá.
Um representante da Volvo disse que uma das fábricas da empresa, localizada na Europa, corre o risco de paralisar sua linha de produção por falta de componentes fabricados na Cidade Industrial de Curitiba (CIC). As peças encaminhadas para importação estariam acumuladas em contêineres no porto por falta de liberação da carga. A Volvo já manteve sua linha de produção de caminhões da fábrica da CIC paralisada ontem.
As cooperativas que operam basicamente com exportações de grãos estão com problemas de queda no faturamento desde o mês de fevereiro. Segundo Fregonese, elas não estão conseguindo fechar o câmbio de operações feitas ainda no mês de fevereiro e por causa disso não estão faturando. O fechamento do câmbio, referente a exportações, depende de documentação emitida pela RF. ‘‘Está um drama para essas cooperativas saldarem seus compromissos’’, disse o diretor do Porto de Paranaguá.
Fregonese disse que a APPA vai recorrer à bancada parlamentar do Paraná para levar o problema para a Presidência da República. Segundo ele, empresas localizadas no Estado investiram em ampliações de suas estruturas para exportarem seus produtos, como recomenda o governo federal, e estão encontrando todas as dificuldades possíveis para liberação de cargas. ‘‘Isso aqui virou um caos’’, lamentou.
A montadora Renault deverá depositar na próxima semana parte do salário correspondente ao adiantamento de férias, em razão das férias coletivas previstas entre os dias 24 de junho e 3 de julho. O Sindicato dos Metalúrgicos disse que os funcionários já receberam comunicado que a paralisação poderá ser cancelada, caso a empresa consiga liberar cargas de componentes que estão presos no Porto de Paranaguá.

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