Peça usada pode baratear seguro
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segunda-feira, 18 de junho de 2007
Rosangela Dolis<br>Agência Estado 
São Paulo - A utilização de peças originais usadas, com certificado de garantia, no reparo de carros segurados está entre as medidas que a Federação Nacional de Seguros Gerais (Fenseg), representante das seguradoras, estuda para baixar em 30% o seguro de carros com 10 anos ou mais. ''Estamos detalhando a proposta e vamos levá-la à Susep (Superintendência de Seguros Privados)'', informa o diretor da Fenseg, Neival Freitas. A Susep regula e fiscaliza o mercado de seguro.
As seguradoras explicam que o motivo do preço alto do seguro de usados está na despesa elevada com peças originais novas para reparo. Freitas diz que para, o uso de peças usadas, é preciso lei que iniba o desmanche irregular. Nesse sentido, ele explica, há um projeto de lei do senador Romeu Tuma aprovado no Senado e em tramitação na Câmara. A medida exigiria mudança também no Código de Defesa do Consumidor, alerta a Susep. Outras duas medidas compõem a proposta da Fenseg: participação do segurado na indenização integral até um certo porcentual e isenção do IOF, que tem alíquota de 7%.
O custo de reparo de um carro usado é o mesmo do de um carro novo por causa das peças. ''Nos dois casos, a seguradora tem de colocar peças originais e novas'', justifica o diretor do ramo de Autos da Marítima, José Carlos de Oliveira. ''Para um veículo no valor de R$ 7 mil, uma porta nova pode custar R$ 1,5 mil'', ele exemplifica. ''Esse é um custo que a seguradora tem de colocar no preço'', concorda o diretor de Massificados da AGF, Marcelo Goldman.
Em novembro de 2005, a Susep tentou incentivar emissões de apólices populares para carros usados criando uma nova modalidade de seguro. Para neutralizar o impacto do preço das peças, ela excluiu a cobertura de colisão parcial, ficando o segurado responsável pelas despesas com reparos, mantendo apenas as coberturas de roubo ou furto, incêndio e colisão total.
''A medida não foi suficiente para incentivar a criação de apólices para esse nicho do mercado'', diz Jabis de Mendonça, vice-presidente de Automóveis da Mapfre. ''Um nicho, aliás, em que as seguradoras estão ansiosas por expansão. ''Vontade de crescer nessa direção temos, mas de forma clara e transparente'', diz Oliveira.
São 11 milhões os carros com idade de 6 a 15 anos circulando no Brasil. Desses, 3,1 milhões (28%) estão protegidos por seguro e 7,9 milhões circulam só com a sorte. Nos mais novos, o índice de veículos segurados é de 70%. Os dados foram elaborados pela AGF, com base em números do mercado.


