Pazzianotto defende reforma trabalhista
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sexta-feira, 24 de abril de 1998
Sid Sauer 
Marcos NegriniFoco de tensãoPazzianotto: As legislações trabalhista e previdenciária são uma carga de dinamite com pavio acesoO ministro do Tribunal Superior do Trabalho, Almir Pazzianotto, defendeu ontem mudanças urgentes na Justiça do Trabalho do País. A legislação trabalhista, que deveria proteger o emprego, hoje desemprega, disse. A afirmação foi feita durante palestra no 5º Seminário sobre Relações do Trabalho no Meio Rural, realizado ontem em Campo Mourão pela Federação da Agricultura do Paraná (Faep).
Durante a palestra, Pazzianotto lembrou que a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) vai completar 55 anos no dia 1º de maio. Nossa legislação envelheceu, frisou. O Brasil não é mais um país rural e não tem apenas 41 milhões de habitantes. Segundo ele, quando a atual legislação entrou em vigor a população do País era quatro vezes menor e apenas 30% dos brasileiros moravam nas cidades. Hoje só 20% continuam no campo.
De acordo com o ministro, a legislação, além de ultrapassada, sofreu uma agravante em 1963, quando as normas da CLT também passaram a valer para os trabalhadores rurais. Foi uma imprudência, ressaltou. Esvaziou-se as colônias e acelerou-se a urbanização. Nesse aspecto, Pazzianotto não poupou críticas ao governo federal. Não entendo por que o governo não percebe este estado de coisas, disse.
Para o ministro, a execução da atual legislação trabalhista é impossível. Junto com a legislação previdenciária, ela é uma carga de dinamite com o pavio aceso, destacou. Pazzianotto defendeu uma Justiça do Trabalho com leis claras e precisas. Bem diferente, segundo ele, do que o governo vem fazendo. A recente implantação do contrato por tempo determinado foi citada como exemplo da complicação da legislação do setor.
Antes de contratar um empregado por prazo determinado, o empregador precisa contratar um advogado especialista para defender questões futuras, explicou. O ministro chamou a nova lei de armadilha, dispositivo perverso e devastador. Os ataques à legislação também foram voltados à Constituição que, para Pazzianotto, foi muito malfeita. Na área trabalhista, a Constituição é péssima, frisou. É preciso mudá-la radicalmente.
Pazzianotto também demonstrou preocupação com o crescimento da população brasileira, que quadruplicou em pouco mais de 50 anos. Não há economia que consiga trabalho a uma população que cresce tão rapidamente, disse. Para resolver o problema do desemprego, o ministro não aceita programas com o Comunidade Solidária. Temos que resolver com atividades produtivas e não com trabalho social.
O mundo sindical brasileiro está contaminado, disse Pazzianotto. Os sindicatos precisam ser, primeiro, desorganizados para, depois, serem reestruturados. Segundo ele, é impossível corrigir a estrutura vigente. Sindicato não pode ser meio de vida nem impor taxas absurdas.
De acordo com o ministro, a situação chegou a tal ponto que ninguém sabe precisar ao certo quantos sindicatos existem no País. Alguns falam em 19 mil e outros em 10 mil, disse. Pazzianotto defendeu que os sindicatos devem desenvolver o hábito do diálogo e da negociação. Atualmente, disse o ministro, os sindicatos dos trabalhadores pregam o conflito e os sindicatos patronais fazem lobby no governo federal.


