O presidente interino do Tribunal Superior do Trabalho (TST), Almir Pazzianotto, criticou ontem a política econômica do governo Fernando Henrique Cardoso. ‘‘O presidente disse que o Brasil não é pobre, é injusto; vou divergir dele: o Brasil é pobre e injusto e com uma economia cujos rumos permanecem indefinidos’’, disse Pazzianotto.
Ex-ministro do Trabalho no governo José Sarney, Pazzianotto acredita que no plano econômico o País vive uma crise de identidade: ‘‘O Estado tem um presença forte na economia, mas rejeita isso, e a rigor o País não é capitalista nem socialista’’. Pazzianotto considera que a indústria automobilística tem demitido assim como demitiu o Banco do Brasil e as estatais privatizadas. ‘‘Deve haver uma solução para a indústria automobilística, pois se o mercado brasileiro não fosse interessante empresas como a Toyota e a Honda não teriam vindo para cᒒ, disse o ministro.
Pazzianotto acredita que é importante o esforço feito por algumas empresas, como a Fiat, para exportar suas produções. Ele considera indispensável a expansão do mercado externo, no qual, segundo ele, a participação das indústrias brasileiras voltou a ser praticamente nula. Lembrou, no entanto, que no exterior a situação não é das mais simples. ‘‘Há um excedente de produção no mundo que eu acredito superar 1 milhão de veículos’’.
Ele ressaltou que no Brasil a proporção do número de habitantes por veículos é inferior aos Estados Unidos, mas superior à China e à Rússia. ‘‘Isso não significa que temos condições de expansão do mercado nacional nas condições atuais de poder aquisitivo e de taxas de juros’’.Arquivo Folha‘Sem rumo’O ex-ministro Pazzianoto, agora presidente do TST: ‘‘No plano econômico, vivemos crise de identidade’’Agência Estado

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