O ministro das telecomunicações está usando como parâmetro o preço do mercado de São Paulo, que é o mais valorizado e cobiçado do País, segundo o presidente da Sercomtel, Rubens Pavan. ‘‘Este parâmetro não serve porque quem comprar a Telesp estará adquirindo o melhor mercado do Brasil. O mundo inteiro está interessado na Telesp’’, diz. ‘‘Em São Paulo, trata-se da venda do controle total da maior fila de clientes, de uma das maiores demandas reprimidas do mundo, que vale muito’’, disse. ‘‘Em Londrina, nós não temos filas, com a instalação do telefone sendo feita em 24 horas’’, comparou. ‘‘Falamos da menor empresa telefônica do País, embora eficiente, e da mais cobiçada.’’
Pavan afirma que a consultoria Capitaltec avaliou a Sercomtel levando em conta o fluxo de caixa descontado da empresa, chegando a um valor entre R$ 270 milhões e R$ 310 milhões. ‘‘Ontem pela manhã recebemos um telefonema de um diretor do BNDES, que além de nos cumprimentar pela forma de negociação, valor obtido e tipo de parceiro, propôs a participação do banco caso a Sercomtel decida tomar parte em alguma privatização no País. O BNDES entraria como investidor. Isto prova o quanto a venda das ações da Sercomtel foi boa’’, argumenta Pavan.
Ele diz que o preço anunciado pelo ministro, de R$ 2.890,00 por linha telefônica, é altíssimo se comparado a parâmetros internacionais. ‘‘Na venda de 45% das ações conseguimos um ágio de 40%’’.
Pavan acredita que o ministro não tenha detalhes da negociação entre a Sercomtel e a Copel. ‘‘Ele deu as declarações num contexto político, e sem conhecer a operação que foi feita em Londrina. A negociação, eminentemente técnica, foi fechada no interesse da duas empresas, preservando a Sercomtel como empresa paranaense’’, diz. ‘‘A afirmação do ministro foi apressada. Se tivesse mais conhecimento da operação, ele certamente teria outro juízo’’, acredita Pavan, que recebeu as declarações ‘‘com estranheza’’.
Para o presidente da Copel, Ingo Hubert, a compra de parte do Sercomtel representou um ‘‘salto quântico’’ para as duas empresas. A Copel tem procurado diversificar sua atuação e prepara-se também para investir R$ 150 milhões na ampliação da rede de fibra óptica no Estado. A associação, de acordo com Pavan, aumentou em muito a competitividade das empresas. ‘‘Há completa sinergia’’, disse.Arquivo FolhaBom negócioPavan: ‘‘O valor de R$ 2.890 para a linha telefônica é altíssimo’’Cláudia Lopes e agências

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