Não por acaso, o maior projeto hoje em discussão, algo que pode chegar a US$ 3 bilhões, envolve a troca de aço e soja brasileiros pelo carvão chinês. Os chineses querem construir uma siderúrgica no Maranhão. Os navios viriam da China carregando carvão mineral e voltariam levando aço e a soja do Centro-Oeste brasileiro.
Porém, o episódio da devolução de cargas de soja brasileira contaminadas com agrotóxicos, em maio, deixou claro aos diplomatas que a negociação com os chineses não serão fáceis. Eles acham que o empresariado brasileiro deve ter toda cautela para não dar aos chineses nenhum pretexto para que sejam adotadas outras medidas do tipo.
Um mercado promissor, na avaliação do governo brasileiro, é o de carnes. Hoje, a China só importa carne bovina brasileira para uso industrial e não compra frango. Os dois produtos são vetados por razões sanitárias. Uma missão de técnicos chineses esteve no Brasil na semana passada para verificar as condições em que a carne é produzida, abrindo a perspectiva de uma futura liberação.
O Brasil também aposta pesado no álcool. Quando esteve em Xangai, Lula presenteou o prefeito local com um automóvel bicombustível, que chamou muito a atenção. A poluição é um problema na China e já houve experiências para a produção do álcool a partir do milho, que sai muito mais caro do que o álcool de cana.
Foi assinado um protocolo em que o Brasil transmitirá à China conhecimento para a produção do álcool a partir da cana-de-açúcar e da fabricação de motores que usam esse combustível. Acredita-se que, se os chineses adotarem a idéia, será possível exportar álcool, maquinário para usinas e talvez até automóveis para lá. É provável, também, que os chineses invistam no Brasil para garantir o abastecimento do produto.
Há, porém, outros temas além do comércio a serem tratados. Brasil e China já têm um programa de cooperação na área espacial, em que já foram construídos dois satélites, o CBERS 1 e 2. Está em discussão a construção dos satélites 3 e 4. Segundo Monteiro, estuda-se também a possibilidade de vender o serviço dos satélites para outros países. Hoje, eles fotografam apenas o Brasil e a China, mas é possível captar imagens de outros países.
O bom e velho futebol brasileiro também interessa aos chineses. Existe um acordo de cooperação e troca de professores de educação física e especialistas em esportes. Os brasileiros ensinariam futebol, vôlei de quadra e praia e basquete aos chineses. Existe a possibilidade de instalação de escolas de futebol brasileiro na China. Em troca, o Brasil receberia treinadores de saltos ornamentais, tiro, luta, tênis de mesa e ginástica.

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