Quando há dez dias, o presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) disse a frase ''exportar ou morrer'', e, uma semana mais tarde, a corrigiu para ''exportar para viver'', o setor empresarial em todo o Estado se perguntou: ''Como?''. A reclamação do empresariado é geral quanto à política ou a falta dela para o setor de exportação. As poucas linhas de financiamento e o custo nacional de produção e logística fazem com que a maioria das empresas continue fechada no mercado interno. A exportação no Paraná ainda é restrita ao setor de grãos e à grande empresa, e mais recentemente ao setor automotivo.
O mercado internacional da soja e do milho, este a partir de 2001, é reponsável por 60% da pauta paranaense de exportação. Em seguida está o setor automotivo que conquistou o segundo lugar neste ano, com a consolidação dos investimentos das montadoras, que buscam no mercado internacional um porto seguro para escoar a produção automobilística.
Na lista das principais exportadoras estão ainda as empresas de extração de óleo de soja, carnes de frango, madeira compensada, açúcar de cana e fios de seda. Quase todas são grandes empresas.
As pequenas ainda estão alheias ao comércio internacional. A característica não é só das paranaenses. Em todo o País, 90% da exportação se dá pelas indústrias de grande e médio portes. As micro e pequenas empresas respondem apenas por 6% da pauta de exportação. Na Itália, por exemplo, as pequenas empresas abocanham 40% das exportações devido à união delas em consórcios.
''As commodities ainda são o forte da exportação paranaense e brasileira'', afirma Vânia Meira Machado, do Departamento de Exportações do Banco do Brasil, em Curitiba. Segundo Vânia, aos poucos as empresas têm se estimulado em exportar mais, a maioria impulsionada pela política cambial. A desvalorização do real tem impulsionado o empresariado a buscar mercados externos.
O Serviço Brasileiro de Apoio à Pequena e Microempresa (Sebrae) e os Correios têm tentado fomentar a exportação para quem até hoje está acostumado apenas com o mercado nacional. A Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos apresentou no Estado, há cinco meses, um programa de auxílio à exportação para mercadorias que tenham preço de até US$ 10 mil. Já o Sebrae tem tentado formar consórcios de pequenos empresários de um mesmo setor, principalmente de artesãos, para viabilizar as vendas externas.
Entre os pequenos empresários há um consenso de que exportar é a solução, mas muitos não sabem por onde começar. ''Ainda há muita desinformação. As pessoas ficam perdidas'', diz a responsável pelo Centro Internacional de Negócios (CIN) da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), Denise de Oliveira Lopes Wellner.
O trabalho do CIN é de orientação e auxílio para que a empresa descubra o seu verdadeiro potencial exportador. Há um encaminhamento também para que se elimine barreiras para exportação.

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