Pausa na queda dos juros não inibe banco nem consumidor
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sábado, 03 de novembro de 2007
Silvia Araújo e Silvia Fregoni<br>Agência Estado 
São Paulo - O ritmo acelerado dos financiamentos deve continuar até dezembro, garantindo para 2007 o título de melhor ano da história para o crédito no Brasil. A confiança do consumidor em alta, a disposição para os gastos no último trimestre do ano, a sazonalidade do período e a inadimplência sob controle devem garantir esse resultado. Conforme os dados mais recentes do Banco Central (BC), no acumulado dos últimos doze meses encerrados em setembro, o estoque dessas operações no sistema financeiro saltou 24,8%, para R$ 854,1 bilhões.
No ano que vem só deve ocorrer algum freio nos empréstimos a partir do segundo semestre. E, mesmo assim, vai depender por quanto tempo o BC manterá o juro básico inalterado ou se, por acaso, houver um aumento da Selic, atualmente em 11,25% ao ano. Neste mês, o Comitê de Política Monetária (Copom) interrompeu uma sequência de 18 cortes consecutivos do juro básico iniciada em setembro de 2005, quando a taxa caiu de 19,75% para 19,50% ao ano. Para o economista Fábio Silveira, da RC Consultores, a inércia expansionista do crédito determinada nos últimos dois anos não vai ser contida com apenas um mês de pausa nas reduções da Selic.
O aumento do emprego e da renda colabora para que o consumidor não se intimide em tomar crédito no sistema financeiro, mesmo diante da pausa nos cortes dos juros.
Os bancos, por sua vez, além de comemorarem o avanço da taxa média de crescimento dos empréstimos, também podem fechar 2007 brindando o bom comportamento dos tomadores dos recursos, já que a inadimplência está menor este ano.
Como a inadimplência está controlada, os bancos deverão manter a estratégia de ampliar a carteira de crédito. Essa tendência só mudará quando as instituições financeiras perceberem uma possibilidade de aumento dos calotes no futuro.
Da parte dos consumidores, a intenção de compras não se abala diante das facilidades oferecidas pelo sistema financeiro, com taxas em níveis mais baixos do que há um ano, prazos esticados e prestações que cabem no orçamento.
Uma pesquisa do Programa de Administração de Varejo (Provar), da Fundação Instituto de Administração (FIA), mostra que 61,2% dos entrevistados vão comprar mais no último trimestre do ano, o que significa cinco pontos porcentuais acima do nível registrado no terceiro trimestre. A diferença é ainda mais expressiva sobre o mesmo período do ano passado, quando a disposição para gastar mais era de apenas 36,8% das pessoas consultadas na pesquisa.
Linha Branca, eletroeletrônicos, celulares, informática e material de construção são alguns dos segmentos mais demandados nesse período de final de ano. Boa parte dessas compras é parcelada no cartão de crédito, outra modalidade que vêm ganhando espaço em razão de parceiras entre bancos, administradoras e varejo.


