Paulistas disputam laranja no Paraná
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sexta-feira, 14 de agosto de 1998
Vânia Casado 
As grandes indústrias de suco de São Paulo, com capacidade para esmagar acima de 20 milhões de caixas por ano, estão praticando preços acima da média, dificultando a vida das médias e pequenas indústrias de suco. As empresas paulistas estão pagando em torno de US$ 4 a caixa (40,8 kg), enquanto as empresas pequenas pagam em torno de US$ 2,5 a caixa. No Paraná, a Paraná Citrus enfrenta o problema: está pagando até R$ 2,8 a caixa, informou o presidente da empresa, Hercílio Tadeu Furtado.
Mais do que isso, seria alterar o ponto de equilíbrio da Paraná Citrus e o custo do produto seria maior do que a receita, disse Furtado. Ele não descarta a possibilidade de alguns produtores venderem a fruta para outros Estados, que oferecem preços melhores. Mas argumentou que se isso estiver ocorrendo, a prática é ilegal porque a legislação fitossanitária proíbe a venda de laranja in natura para outros Estados, para evitar a disseminação de pragas e doenças que podem colocar em risco as bases de sustentação da citricultura paranaense.
Se estiver ocorrendo a venda de laranja para outros Estados, só se for por baixo do pano, alegou Furtado.
Guerra de preços Furtado destaca que alguns produtores podem ter ficado inseguros com a paralisação da indústria e por isso tentaram desviar a produção para São Paulo. Mas esses a fiscalização já pegou, acredita. Alguns produtores estimam na região que 100 mil caixas de laranja já foram vendidas para outros Estados e até o final do ano, mais 100 mil caixas podem ser desviadas.
No meio dessa guerra de preços, a Paraná Citrus está se reestruturando após um período em que ficou desativada por falta de recursos para capital de giro. Em meados de abril deste ano, a empresa recebeu R$ 3,5 milhões em recursos do Fundo de Desenvolvimento Econômico e voltou a esmagar.
Safra Até agora, a empresa já esmagou 1 milhão de caixas e produziu 2,5 milhões de toneladas de suco, sendo que 10% dessa produção está vendida. Segundo informações do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria da Agricultura, até o final de julho já haviam sido colhidos 2 milhões de caixas.
Hercílio Tadeu Furtado disse que este ano ainda é um período de reestruturação da empresa e os dirigentes estão na expectativa de atingir um faturamento de US$ 10 milhões, com a venda de 9,5 milhões de toneladas de suco.
A empresa quer aproveitar o momento de recuperação no preço do suco no mercado internacional, que este ano deve pagar em torno de US$ 1.400 a tonelada de suco, contra US$ 850 pagos no ano passado.


