As grandes indústrias de suco de São Paulo, com capacidade para esmagar acima de 20 milhões de caixas por ano, estão praticando preços acima da média, dificultando a vida das médias e pequenas indústrias de suco. As empresas paulistas estão pagando em torno de US$ 4 a caixa (40,8 kg), enquanto as empresas pequenas pagam em torno de US$ 2,5 a caixa. No Paraná, a Paraná Citrus enfrenta o problema: está pagando até R$ 2,8 a caixa, informou o presidente da empresa, Hercílio Tadeu Furtado.
‘‘Mais do que isso, seria alterar o ponto de equilíbrio da Paraná Citrus e o custo do produto seria maior do que a receita’’, disse Furtado. Ele não descarta a possibilidade de alguns produtores venderem a fruta para outros Estados, que oferecem preços melhores. Mas argumentou que se isso estiver ocorrendo, a prática é ilegal porque a legislação fitossanitária proíbe a venda de laranja ‘‘in natura’’ para outros Estados, para evitar a disseminação de pragas e doenças que podem colocar em risco as bases de sustentação da citricultura paranaense.
‘‘Se estiver ocorrendo a venda de laranja para outros Estados, só se for por baixo do pano’’, alegou Furtado.
Guerra de preços Furtado destaca que alguns produtores podem ter ficado inseguros com a paralisação da indústria e por isso tentaram desviar a produção para São Paulo. Mas ‘‘esses a fiscalização já pegou’’, acredita. Alguns produtores estimam na região que 100 mil caixas de laranja já foram vendidas para outros Estados e até o final do ano, mais 100 mil caixas podem ser desviadas.
No meio dessa guerra de preços, a Paraná Citrus está se reestruturando após um período em que ficou desativada por falta de recursos para capital de giro. Em meados de abril deste ano, a empresa recebeu R$ 3,5 milhões em recursos do Fundo de Desenvolvimento Econômico e voltou a esmagar.
Safra Até agora, a empresa já esmagou 1 milhão de caixas e produziu 2,5 milhões de toneladas de suco, sendo que 10% dessa produção está vendida. Segundo informações do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria da Agricultura, até o final de julho já haviam sido colhidos 2 milhões de caixas.
Hercílio Tadeu Furtado disse que este ano ainda é um período de reestruturação da empresa e os dirigentes estão na expectativa de atingir um faturamento de US$ 10 milhões, com a venda de 9,5 milhões de toneladas de suco.
A empresa quer aproveitar o momento de recuperação no preço do suco no mercado internacional, que este ano deve pagar em torno de US$ 1.400 a tonelada de suco, contra US$ 850 pagos no ano passado.

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