O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Carlos Eduardo Moreira Ferreira, previu ontem que a alta dos juros terá um impacto ‘‘fortíssimo para o desaquecimento da economia’’. Segundo Moreira Ferreira, os setores mais prejudicados serão os que têm dívidas e também os que dependem das vendas a crédito. ‘‘A elevação dos juros foi uma paulada. Só não sei calcular quanto o PIB diminuirá com a alta do juro’’.
O ‘‘tratamento de choque’’ ampliará os ‘‘efeitos perversos da crise de energia’’ sobre a atividade industrial e a redução da produção será expressiva, ‘‘não só neste ano mas também nos primeiros meses do próximo’’. Essas são afirmações feitas pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) em nota à imprensa divulgada ontem. O documento, assinado pelo presidente da entidade, Horácio Lafer Piva, afirma ainda que o ‘‘tratamento de choque’’ é questionável quando aplicado por período curto e ‘‘absolutamente desaconselhável’’ se adotado por vários meses.
O presidente da Associação Nacional das Instituições do Mercado Aberto (Andima), Edgar da Silva Ramos, observou que a alta verificada na segunda prévia do IGP-M pode ser apenas o primeiro sinal de que a inflação realmente deve voltar a subir nos próximos meses. ‘‘A alta concentrada no IPA mostra que a pressão nos preços começou no atacado e dentro de mais dois ou três meses chegará no varejo’’, disse Ramos. Ele considerou positiva a reação do mercado financeiro diante da alta dos juros, uma vez que o dólar fechou em queda forte. ‘‘Foi uma reação madura’’.
Na opinião do economista Carlos Langoni, ex-presidente do Banco Central, o BC mostrou ‘‘coragem política’’, ao elevar os juros apesar da proximidade das eleições de 2002. ‘‘Foi um choque de credibilidade para mostrar que a maior preocupação agora é perseguir a meta de inflação’’, disse Langoni. ‘‘O problema é que o Brasil está sendo atingido pela lenta agonia da Argentina, que, mais cedo, ou mais tarde, terá de desvalorizar’’.
Para o coordenador do grupo de câmaras estrangeiras de comércio no Brasil, Joel Korn, o governo exagerou no aumento das taxas de juros. ‘‘Não ocorreu assim um aquecimento tão forte na economia que justifique esta elevação da taxa de juros’’.
A decisão do Copom de aumentar a taxa básica de juros da economia para 18,25% ao ano jogou uma pá de cal sobre as expectativas do comércio para este ano. Depois das medidas de racionamento de energia elétrica, o varejo começou a rever suas expectativas e agora o novo aumento dos juros acabou enterrando qualquer otimismo. ‘‘Agora, se empatar com o ano passado está bom’’, afirmou o economista da Associação Comercial de São Paulo, Emílio Alfieri.’’

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