Pastore afasta recessão no Brasil no próximo ano
O economista e ex-presidente do Banco Central Affonso Celso Pastore aponta um cenário de estresse para a Argentina, com a impossibilidade de o país financiar suas contas. Ele, porém, diz que a situação não é tão grave, como nas crises asiática e russa, embora reconheça que os distúrbios provenientes da deterioração da economia argentina sejam mais preocupantes que os efeitos da alta do petróleo, por exemplo. O BC brasileiro já mostrou preocupações com este comportamento, alterou suas regras de rolagem de títulos públicos com correção cambial, elevou a oferta de hedge para aliviar as cotações do dólar no mercado à vista, mas a situação hoje é menos grave do que nas crises asiática e russa, diz.
Segundo Pastore, os reflexos no Brasil seriam limitados a uma retração na economia em 2001 em lugar do projetado aumento de 4% do PIB, crescimento zero mas a recessão estaria descartada. A situação hoje é muito diferente do que acontecia durante a crise russa. Não há perspectivas de risco, nem de recessão, nem de grandes besteiras na economia. O máximo que pode acontecer serão quatro pontos de queda nas projeções, justamente o que o Brasil poderia crescer. Ou seja, fecharia o ano com crescimento zero ou até com uma pequena taxa positiva, como resultado do desempenho deste ano.
A desaceleração na economia brasileira, nesse cenário de estresse, seria provocada por um aumento na taxa de juro, num ajuste necessário para equilibrar a pressão inevitável sobre o câmbio, segundo Affonso Celso Pastore.





