Na cadeia produtiva da carne, o principal índice de desperdício é observado no pasto. Com potencial para alojar duas unidades-animal por hectare (ha) apenas com melhoria no manejo e investimento em adubação de base, o Brasil mantém uma média de 0,5 a 0,7 unidade-animal por ha.
Segundo o analista de mercado Fabiano Ribeiro Tito Rosa, da Scot Consultoria, em Bebedouro (SP), a lotação poderia ser dobrada se os pecuaristas apenas modificassem o manejo, dividindo a pastagem em piquetes e mudando o gado de lugar. ''Essas soluções não aumentam o custo e melhoram a escala'', diz.
Ele defende que o País tem capacidade para manter seis animais por ha, se houver investimento em tecnologia como adubação pesada e irrigação. ''Caberia o rebanho do mundo inteiro nas pastagens brasileiras'', compara.
De acordo com boletim divulgado pela Cocamar Cooperativa Agroindustrial, nos 220 milhões de hectares de pastagens existentes no Brasil, a perda de solo por processos erosivos seja pela água ou pelo vento é estimada entre 3 e 3,5 bilhões de toneladas por ano.
A erosão leva até nove vezes mais nutrientes do solo que um boi. Um animal devolve para a terra entre 80 e 85% dos nutrientes que retira do solo durante um ano, levando apenas 9% de nitrogênio, 10% de fósforo e 1% de potássio (NPK), em forma de carcaça.
A ONU calcula como perda média nas áreas com algum grau de erosão US$ 7 por hectare/ano. Apenas as pastagens do Cerrado, com estimados 64 milhões de hectares degradados, estão deixando de colocar no bolso dos pecuaristas US$ 448 milhões por ano. Estendendo a conta para os 80 milhões de hectares de pastos degradados em todo o País, o valor anual sobe para US$ 560 milhões.

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