Brasília - O ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, afirmou ontem que estrangeiros que têm a oportunidade de conhecer a agricultura brasileira estão se ''assombrando'' com a competitividade do agronegócio nacional. O avanço da agropecuária do País, segundo ele, incomoda os concorrentes que antes vendiam para mercados hoje abastecidos pelo Brasil. ''Os concorrentes estão perdendo mercado e quem perde, não está feliz'', afirmou o ministro, em reunião com os delegados federais de agricultura nos Estados.
Rodrigues citou estudo feito por empresas de fertilizantes indicando que, nos próximos 15 anos, cerca de 30 milhões dos 180 milhões de hectares hoje ocupados por pastagens serão destinados à agricultura. Isso faria com que dobrasse a atual área cultivada, que se estende por 62 milhões de hectares. A pecuária ocupará área menor, mas o rendimento continuará crescendo. O ministro avaliou que a troca da pecuária pela agricultura vai ocorrer em regiões onde a terra custa mais caro, citando São Paulo, Minas Gerais, Tocantins, Pará e Mato Grosso do Sul.
Outro estudo, encomendado pela multinacional Bunge a uma consultoria internacional para avaliar as perspectivas de crescimento do agronegócio, concluiu que, nos próximos 10 anos, o Brasil terá que produzir 60 milhões de toneladas a mais de grãos, com ênfase em milho e soja, para atender à demanda mundial. ''A empresa está fazendo investimentos vultosos no Brasil. Eles estão com dinheiro na mão, mas não conseguem investir por causa de barreiras ambientais'', afirmou Rodrigues.
O ministro avaliou que os dois estudos coincidem num ponto: o Brasil precisa incorporar, por ano, dois milhões de hectares à área plantada nos próximos 10 ou 15 anos. Ele lembrou, no entanto, que nos últimos anos a incorporação de áreas vem sendo até maior. ''Nós temos capacidade de incorporar dois milhões de hectares por ano, sem que isso represente nenhum desafio governamental'', afirmou. ''O crescimento dos últimos anos se deu por puro fator mercadológico, por demanda e preços elevados.''
Ele disse que três fatores beneficiam a expansão agrícola no País: terra, mão-de-obra e tecnologia. A falta de recursos, deficiência logística e de infra-estrutura e mercado são pontos negativos. ''Boa parte dos instrumentos que alavancam o processo do setor não estão na nossa área de atuação'', observou Rodrigues, afirmando ainda que os principais problemas do governo estão na área de defesa sanitária e de pesquisa agropecuária. ''Nesses dois segmentos está o nosso calcanhar-de-aquiles.''
O ministro acrescentou, porém, que o governo tem consciência da importância de investimentos nessas duas áreas, que terão, segundo ele, aporte adicional no Orçamento de 2005. Para a defesa sanitária, o orçamento inicial do ministério para este ano era de R$ 68 milhões, mas medida provisória permitiu a liberação adicional de R$ 44 milhões. No caso da pesquisa agropecuária, o orçamento da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) para 2004 é de R$ 822 milhões, sendo R$ 224 milhões para pesquisa.

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