Passei a fazer tudo que não fazia antes
Manter a atividade mesmo depois da aposentadoria faz parte do universo de um número cada vez maior de idosos. Um exemplo é a advogada Yolanda Nella Voigt Cosentino, que aos 89 anos ainda trabalha todos os dias, das 8 às 18 horas, no seu escritório, em Londrina. ''Se parar, acho que morro. Enquanto a cabecinha estiver funcionando, vou continuar. Quando começar a ficar bobinha, só peço que, por favor, não caçoem de mim'', brinca ela, que se mantém lúcida e com saúde invejável.
Viúva, com duas filhas, quatro netos e dois bisnetos, dona Yolanda trabalha por opção, pois a família tem boa vida financeira. Ela se aposentou em 1965 (aos 45 anos) como professora. Na época, já havia se formado em Direito (em 1962) e resolveu montar um escritório incentivada por um amigo. Desde então, atua na área cível. Ela conta que, ultimamente, diminuiu um pouco o ritmo de trabalho por causa de problemas na visão. ''Trabalho sempre tem. Não sinto preconceito (pela idade). Ainda tem gente que acredita em mim'', diz.
Auditora fiscal da Receita Estadual aposentada desde 1995, Ester Antonieta Viana Perfetto, 68 anos, viúva, com três filhos e cinco netos, aproveita a vida do jeito de gosta. ''Passei a fazer tudo que não fazia antes. Jogo baralho, faço yoga e hidroginástica, pinto'', enumera. Com uma boa aposentadoria, ela nunca pensou em continuar trabalhando.
O grande prazer e também o maior investimento - 50% do salário - são as viagens. ''Em cada viagem levo um neto. É uma chance para a gente se curtir'', conta ela, que viaja praticamente todos os meses e já conhece quase o mundo todo. Outro gasto grande é com a saúde. ''Gasto horrores com remédio''. Mesmo assim, não deixa de viajar. ''Planejei a vida para ficar bem na velhice. Ainda quero conhecer o Alaska''. (G.M.)





