Passagens de ônibus sobem até 5% em julho
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sexta-feira, 24 de junho de 2011
Victor Lopes <br> Reportagem Local 
Como acontece anualmente, a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) autorizou ontem, por meio da Resolução 3.687 publicada no Diário da Oficial da União, um aumento de 5,017% sobre os coefientes tarifários dos serviços de transporte rodoviário interestadual e internacional de passageiros para distâncias acima de 75 km. Em 2010, o reajuste foi de 2,13%.
A medida começa a valer a partir do dia 1º de julho e os preços das passagens serão recalculados através de uma fórmula paramétrica, em que é multiplicado a distância rodada (quilometragem) pelos coeficientes tabelados, que variam de acordo com o tipo de ônibus e os serviços ofertados. Além disso, são adicionados ao preço do bilhete a tarifa de embarque específica do terminal, o ICMS de cada estado incidente sobre a tarifa e o rateio do pedágio (quando houver) por passageiro.
Com o transporte rodoviário perdendo espaço para as companhias aéreas - que hoje captam clientes principalmente das classe B e C - a FOLHA foi até o Terminal Rodoviário de Londrina conversar com alguns viajantes sobre o reajuste, que avaliaram se a medida vai ou não pesar no bolso.
O casal Paulo Roberto Mendes e Silvia Gouvêa há dois anos lidam com um casamento a distância. Paulo é técnico em telecomunicações em São Paulo, enquanto Silvia atua na área administrativa em Florianópolis. Eles gastam, em média, R$ 600 por mês com as idas e vindas entre as duas cidades, além de visitar familiares esporadicamente em Londrina. ''As passagens de ônibus estão muito caras. Se caso o reajuste atinja 5% em algum dos nossos trajetos, no final vai acabar pesando no bolso. Tem muita gente que não recebe este aumento de um ano para o outro'', salientaram.
Eles disseram ainda que a passagem São Paulo-Florianópolis gira em torno de R$ 90, São Paulo-Londrina sai por R$ 86 e Florianópolis-Londrina por R$ 105. Por isso, ambos ficam atentos às promoções realizadas pelas companhias aéreas. ''Já chegamos a comprar passagens de avião por R$ 71, e olha que acho que os custos deste tipo de transporte devem ser bem mais elevados do que o rodoviário'', comentou Paulo.
Assim como o casal, o estudante de engenharia Gabriel Bettiol também concorda que quem utiliza muito o serviço pode acabar sentindo o bolso pesar com o reajuste. O rapaz faz o trajeto São Paulo-Londrina pelo menos dez vezes por ano. ''Gasto cerca de R$ 2 mil anuais. O pior é que não tenho como escapar, por isso este aumento talvez influencie de alguma forma''.
Já para a recepcionista bilingue Aniele Bassinello, que faz a mesma viagem que Gabriel, só há uma maneira de gastar menos: viajar até Londrina com veículo próprio dividindo as despesas com mais três pessoas. ''Como não tenho carro, acabo dependendo deste transporte'', comentou.
A reportagem da FOLHA entrou em contato com diversas empresas que realizam o transporte de passageiros em Londrina e região para falar sobre o reajuste, mas com o feriado prolongado, não conseguiu obter resposta de nenhuma delas.


