São Paulo
Brasília, 12 (AE) - O brasileiro está sendo penalizado com um festival de aumentos de preços iniciado no mês passado. Depois dos serviços e produtos essenciais como energia elétrica, seguro-apagão, telefonia fixa, gasolina, diesel e gás de cozinha, agora são as passagens de ônibus interestaduais e internacionais que ficam 11,90% mais caras a partir de hoje. As indústrias de biscoitos também estão reajustando os preços dos produtos e o pão francês já custa mais nas padarias de muitas cidades.
O reajuste das passagens de ônibus foi autorizado ontem pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). Segundo nota divulgada pela Agência, as empresas de transporte reivindicavam aumento de 16,61%.
As passagens internacionais e interestaduais são reajustadas com intervalo mínimo de 12 meses. O último aumento foi em 13 de julho do ano passado. Os itens que mais influenciaram nessa recomposição das tarifas foram os preços do óleo diesel, dos pneus e dos veículos. Nos últimos 12 meses, eles aumentaram, em média, 18,26%,14,16% e 11,93%, respectivamente.
Biscoitos - Depois de mais de um ano sem mexer nos preços, a indústria de biscoitos começa a promover o primeiro aumento para o varejo. De acordo com o presidente da Associação Nacional da Indústria de Biscoitos (Anib), Cid Maraia de Almeida, as empresas do setor já estão repassando as novas tabelas, com alta de 7% a 10%.
''Tivemos aumento da gordura hidrogenada, energia e gás'', diz Almeida. ''Os aumentos consecutivos do trigo no último mês foram a gota d'água para tomar a decisão.'' As cerca de 400 empresas de biscoito do País estão comprando a saca de farinha sem sêmola, especial para o produto, por R$ 35,00, contra R$ 22,00 no início do ano.
A Anib acredita que os aumentos serão absorvidos pelo consumidor. ''No segundo semestre, começam os dissídios coletivos'', observa Almeida. O setor enfrenta um desempenho negativo de vendas desde o ano 2000, quando teve perdas de 7% em relação ao ano anterior. No ano passado, as vendas tiveram queda de 1% e, neste primeiro semestre, houve baixa de 2%.
Para administrar essas perdas, as empresas vêm trabalhando para baratear os custos de produção. ''Estamos investindo em produtividade, sem reduzir o número de funcionários'', diz o presidente da Anib. Com treinamento de pessoal e atenção à agilidade do processo de fabricação, o setor alcançou economia de até 0,5% no custo final do biscoito, informa. Algumas empresas também promoveram a mudança no sistema de confecção de embalagens por sistemas mais simplificados, o que proporcionou uma economia de 5% ao longo do processo e de até 1% no custo final do biscoito.

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