Agência Estado
O governo autorizou as companhias aéreas a reajustarem em até 10,9% as tarifas das passagens domésticas e do transporte de carga. O Departamento de Aviação Civil (DAC) informou ontem as companhias do aumento, que começa a vigorar a partir da zero hora de hoje. A correção das tarifas considerou o índice de produtividade, o aumento dos custos operacionais das companhias, a partir de 17 de julho de 1997, e o último aumento no preço do combustível. A portaria do Ministério da Fazenda autorizando o reajuste foi publicada ontem no Diário Oficial da União, e determina que um novo aumento só poderá ocorrer dentro de um ano.
O presidente do Sindicado Nacional das Empresas Aéreas (SNEA), brigadeiro Mauro Gandra, avalia que o aumento ainda é insuficiente para as empresas brasileiras, que pediam reajustes entre 16% e 28%. Segundo ele, a atual política do governo ‘‘engessa’’ o mercado nacional e diminui a possibilidade das companhias oferecerem mais tarifas promocionais para a população.
‘‘As companhias, nos Estados Unidos, cobram caro nas tarifas cheias, mas oferecem preços promocionais muito baixos’’, afirmou. Gandra explicou que essa política mais flexível permite que o preço de uma passagem ida e volta de Nova York para Los Angeles baixe de US$ 2 mil para cerca de US$ 280, nas melhores promoções.
O brigadeiro acrescentou que, como o aumento concedido foi reduzido, não deverá provocar uma redução significativa no número de pessoas que viajam de avião. O presidente do SNEA explicou que, em junho, começa a reserva de passagens para as férias de julho, o que impediria uma redução na procura por vôos. ‘‘O passageiro sempre reage um pouco, mas este aumento é pequeno e não será negativo’’, previu.
A Varig e a TAM já informaram que vão elevar as tarifas da Ponte Aérea Rio-São Paulo em 13%, cobrando R$ 130,00 por trecho. O aumento, superior aos 10,9% permitidos pelo governo para as tarifas normais, vai ser possível com a redução dos descontos que já eram oferecidos nas tarifas promocionais. Antes do aumento, as duas companhias estavam cobrando uma tarifa promocional de R$ 115,00 por trecho. Entretanto, a tarifa normal não deve sofrer reajuste, permanecendo em R$ 158,00. Se os 10,9% fossem aplicados à tarifa promocional, o valor da passagem da Ponte Aérea subiria para R$ 127,50 por trecho.
O reajuste chegou a ser cobrado no início da semana pelas empresas aéreas, assim que foi noticiado que a autorização para a cobrança dos novos preços seria enviada para o Diário Oficial. Com a antecipação da cobrança, o ministério atrasou a publicação da portaria e só a divulgou ontem. As companhias que cobraram o reajuste sem a permissão terão de devolver a diferença.

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