Passagens aéreas para a Copa estão até 200% mais caras
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quinta-feira, 31 de outubro de 2013
Andréa Bertoldi<br>Reportagem Local 
Curitiba - Os preços das passagens aéreas para a Copa do Mundo já estão até 200% mais caros. Os voos mais procurados devem ser para São Paulo, cidade na qual acontece a abertura do mundial, e Rio de Janeiro, que terá o estádio do Maracanã como palco de encerramento dos jogos. As previsões são de Geraldo Rocha - economista e diretor de relações com o mercado da regional Paraná da Associação Brasileira de Agências de Viagens (Abav-PR).
Segundo ele, a passagem entre São Paulo e Rio de Janeiro durante a Copa chega a R$ 1,7 mil, mais caro que ir do Brasil a Miami, nos Estados Unidos, na baixa estação (US$ 600). Rocha acredita que o governo não deve interferir "porque esse comportamento de preços faz parte do mercado".
Levantamento realizado pela reportagem mostra que a passagem aérea de Curitiba para São Paulo próximo da data da abertura da Copa pode custar R$ 1.647. E de Londrina para São Paulo, R$ 1.729. Para a final no Rio, o bilhete partindo de Curitiba pode sair até R$ 2.656 e saindo de Londrina, até R$ 2.533.
A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) foi procurada pela FOLHA e informou acreditar que ainda ocorrerão mudanças nas ofertas de voos por conta do sorteio das chaves e da definição dos locais dos jogos. A agência esclareceu ainda que está auxiliando no processo de flexibilização da oferta pelas empresas aéreas, que poderão disponibilizar mais voos de acordo com a demanda de passageiros no período. A Anac acredita que uma maior oferta de voos pode impactar na redução do valor cobrado pelo bilhete aéreo.
A advogada e coordenadora institucional da Associação Brasileira de Defesa do Consumidor (Pro Teste), Maria Inês Dolci, recomenda que os brasileiros não comprem passagens aéreas para esta época do ano. "Não faz sentido pagar tão caro", disse. A orientação dela é para que procurem outros destinos. Mas, o torcedor que quiser ver os jogos "vai ter que pagar o preço e não há o que fazer". Maria Inês acredita que, se as pessoas não comprarem os bilhetes aéreos, as empresas vão ter que recuar nos preços.
Para ela, a liberdade tarifária funcionaria se houvesse mais concorrência no setor. "A nossa recomendação é para que as pessoas não comprem com os preços nas alturas para não incentivar esta prática abusiva", disse.
Discussão
O preço das passagens aéreas no Brasil aumentou 131,5% acima da inflação desde 2005, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A informação será apresentada pelo presidente do Instituto Brasileiro de Turismo (Embratur), Flávio Dino, na reunião que acontece hoje entre o governo e representantes das companhias aéreas.
O objetivo do encontro é tentar convencer as empresas de que os preços cobrados no País são altos demais. "Espero que eles colaborem, que haja uma compreensão de que se deve explorar o turismo, não os turistas", disse Dino. Segundo ele, o desequilíbrio entre demanda e oferta e o aquecimento do mercado fazem com que haja práticas comerciais abusivas - que ficam mais evidentes no caso das festas de fim de ano e agora da Copa do Mundo do ano que vem.
As quatro empresas que operam no Brasil - TAM, Gol, Azul e Avianca - vão participar da reunião hoje, além de representantes da Anac, da Secretaria de Aviação Civil e do Ministério da Justiça. Segundo Dino, se as empresas não atenderem ao "chamado do bom-senso", é possível que haja mudanças na regulação do setor, inclusive acabando com a liberdade tarifária. (Com agências)


