Curitiba - O brasileiro está migrando do meio de transporte ônibus para o avião. Este comportamento gerou uma perda anual de público da ordem de 17% para as empresas de ônibus. Só em 2006, 3 milhões de passageiros trocaram o transporte rodoviário pelo aéreo. Os dados fazem parte de um estudo nacional realizado pela Direkt, empresa de pesquisa de mercado e marketing direto. As promoções realizadas pelas companhias aéreas foram um grande chamariz para a mudança.
O levantamento mostrou que houve um crescimento significativo no número de viagens realizadas no País. No universo da pesquisa, mais de 50% dos entrevistados afirma ter realizado alguma viagem interestadual nos últimos seis meses. Quando se analisa igual período anterior, este índice cai para 35%. Entre as pessoas que viajam, 44,8% utilizam o avião. Neste mesmo universo, 33,6% optam pelo ônibus e 21,6% pelo carro.
A Direkt realizou 788 entrevistas com pessoas de diferentes classes, entre 16 e 65 anos, tendo como referência as cidades do Rio de Janeiro e Salvador e todos os pontos de origem e destino a partir destas cidades, considerando uma distância superior a 400 Km.
A pesquisa mostrou que, em 2005, foram realizadas 46 milhões de viagens de avião, 34 milhões de viagens de ônibus e 22 milhões de viagens de carro. Segundo o levantamento, o avião é o meio que mais fideliza: 74% das pessoas que viajaram deste modo repetiram a opção. Já com o meio ônibus, 53% repetiram utilizaram novamente este meio.
A Associação Brasileira de Transporte Terrestre de Passageiros (Abrat), que reúne 150 empresas de atuação interestadual, contestou os números apresentados pela pesquisa. Segundo a entidade, em 2005, 141 milhões de passageiros viajaram de ônibus. A Direkt esclareceu que contabilizou o número de 34 milhões de viagens contando o passageiro que viajou em 2005 e não quantas vezes este mesmo passageiro se deslocou.
Incentivos - O presidente da Direkt, Vicente Criscio, destaca que, o setor de aviação recebe vários incentivos como isenção de ICMS de combustível em algumas capitais e flexibilidade da Infraero na cobrança de taxas. Por outro lado, o transporte rodoviário arca com o ICMS integral de passagens, combustível, IPVA, pedágios e estradas esburacadas além de sofrer com a informalidade e os ônibus clandestinos.
Segundo ele, para o governo, esta migração também não traz benefícios pois, a cada 1 milhão de passageiros que migram do setor ônibus para avião, há a perda de R$ 3 milhões em ICMS. Em 2006, 3 milhões de passageiros deveãro migrar do ônibus para o avião, o que causa uma renúncia fiscal de R$ 9 milhões.
O diretor financeiro da regional Paraná da Agência Brasileira de Agências de Viagens (Abav-PR), Geraldo Rocha, não acredita que surgiram clientes novos para as companhias aéreas. Ele disse que o mesmo cliente que viaja de avião duplicou o número de embarques. ''Apenas alguns passageiros migraram do meio rodoviário para o aéreo'', disse. Segundo ele, as promoções das companhias de aviação e o parcelamento em seis vezes sem juros tornaram-se um chamariz para os clientes.
O superintendente do Sindicato das Empresas de Transporte Intermunicipal do Paraná (Rodopar), Thadeu Castelo Branco e Silva, disse que o grande concorrente do transporte intermunicipal é a clandestinidade. ''Isso é uma bomba-relógio. São empresas de ônibus que operam com veículos sucateados e com pseudomotoristas'', declarou. Para ele, o ônibus só perde para o avião, quando o avião sai no horário. ''As poltronas dos ônibus são melhores, os veículos saem sempre no horário e há muitas empresas que já aceitam o cartão de crédito como forma de pagamento'', enfatizou.

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